Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 12/01/2021
O escritor Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficias que caracterizam o páis. Fora da ficação, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da falta do autoconhecimento na era digital. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de privacidade, bem como a necessidade de um consumo consciente.
Em primeira análise, é válido salientar que a displicência estatal colabora com esse cenário. De acordo com o Artigo 146-A da Constituição Federal promulgada em 1988, todo cidadão brasileiro tem direito a privacidade. Entretanto, ao se analisar a forma em que os dados digitais são coletados de usuários é possível perceber uma falta de compromisso com essa privacidade. Dessa maneira, é importante destacar que essa má atuação do Estado provoca invasão de privacidade, o que ratifica a ideia do jornalista Gilberto Dimenstein, ao afirmar que, de forma geral, o conjunto de leis do país está em um plano teórico.
Além disso, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução o consumo exarcerbado. De acordo com Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.
O panorama geral que contribui para os efeitos da falta do autocinhecimento na era digital, portanto, reflete a necessidade de implementação de medidas. Em suma, faz-se necessário a atuação do Estado em parceria com o usuário, na realização de um maior monitoramento, no intuito de uma maior reflexão sobre aquilo que é compartilhado. Dessa forma, poder-se-à criar um ideal de nação oposto ao de Machado de Assis.