Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 21/12/2020
A obra “O Discurso da Servidão Coletiva”, escrito em 1567, por Étienne De La Bóetie, analisa que o próprio ser se escraviza, que, podendo optar entre ser livre ou ser submisso, renuncia a liberdade. Acerca dessa lógica, o uso excessivo das redes sociais influi, em maioria, para a facilitada manipulação dos jovens. Não obstante, a penúria de apoio psicológico por conta do Estado contribui, em geral, para o aumento de psicopatologias. Logo, ações estatais que transmudem os atos são urgentes.
Destarte, o imoderado número de horas “online” influencia, substancialmente, na formulação de padrões entre os jovens. Sob essa óptica, com a popularização das chamadas “blogueiras”, jovens que possuem milhões de seguidores e realizam campanhas publicitárias, muitos indivíduos acabam sendo influenciados por essas jovens, visto que se cria uma padronização dos produtos divulgados por elas, esses, muitas vezes, sem instrução acerca de sua origem ou de seu uso. Nesse viés, é notório que, como busca por aceitação “online”, muitos adolescentes sejam influenciados, sem conhecimento dos riscos que tal estilo pode acarretar. Desse modo, atos que mudem esse cenário são prementes.
Outrossim, a inobservância governamental na distribuição de apoios psicológicos contribui, majoritariamente, no elevado número de jovens tendentes a depressão. Nessa conjuntura, segundo o filósofo Byung-Chul Han, na obra “Sociedade do Cansaço”, o vultoso imbróglio da sociedade, é o seu excesso de positividade, notado que o ser humano busca, incansavelmente, a busca pela produtividade e pela perfeição nos seus afazeres. À vista disso, concomitantemente, a busca pela aceitação na “internet”, acaba, por muitas vezes, a ocasionar frustrações aos usuários que não conseguem alcançá-los, desenvolvendo, em grande parte, quadros depressivos. Por conseguinte, atos Públicos que visem ao bem-estar desses jovens devem ser adotados.
À luz dessas considerações, em solução aos imbróglios supracitados, é fulcral que o Governo, junto ao Ministério das Comunicações, deve realizar palestras em locais públicos, como parques e praças, com profissionais da área psicológica, que instruam a maior parte da população acerca dos riscos que as propagandas feitas “online” podem acarretar, visto que, muitas vezes, não são feitas por profissionais, buscando a conscientização de grande parte dos jovens. Ademais, o Ministério da Saúde deve desenvolver meios de comunicação gratuitos com psicólogos e psiquiatras, intentando ao acesso facilitado dos indivíduos que possuam quadros depressivos, tanto por influência da “internet” quanto por outras ocasiões, visando ao bem-estar da maior parte desses jovens. Por esses intermédios, a penúria de autoconhecimento na era digital pode deixar de ser um empecilho no País.