Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 26/05/2020

A Terceira Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XX, proporcionou que a sociedade transitasse da era Industrial para era Digital, uma conjuntura que introduziu grandes impactos na vida do ser humano. No entanto, nota-se que essa atual era trouxe consigo a falta de autoconhecimento da sociedade. Isso desencadeu a uniformização do corpo social, mas também revelou as falhas dos formadores de opinião.

Em primeiro lugar, o filósofo Martin Heidegger apontou, na década de 50, sobre os perigos da crescente “maré de revolução tecnológica” que poderia “cativar, enfeitiçar, deslumbrar e divertir ao homem de tal forma que o pensamento computacional seria capaz algum dia de se tornar… a única forma de pensar”. Assim, observa-se a concretização desse posicionamento na atualidade, posto que o homem hodierno revela-se como um ser que lhe falta autoconhecimento, pois, esse é submisso ao mundo ambiente digital que dita como esse deve se relacionar e se comporta, por exemplo. Consoante a isso, a passividade diante do mundo virtual faz com que uniformização das escolhas tornam-se uma tônica no tecido social.

Ademais, por detrás desse cenário, nota-se a falha dos formadores de opinião, principalmente, da instituição escolar. Haja vista que segundo o pedagogo Paulo Freire, a educação tem o potencial de transformar o indivíduo e esse, assim, tornar-se apto para mudar a sociedade. Á luz disso, quando se analisa uma sociedade que desconhece a si mesmo, pois não é detentora do olhar crítico, seja para as suas escolhas pessoais ou seja para a realidade que a cerca, nota-se, diante disso, uma escola que não exerce a sua função social. Isso decorre, principalmente, de um ensino tecnicista, que preconiza o mercado de trabalho e negligencia a construção da cidadania. Dessarte, um quadro que favorece a continuidade da manipulação na era digital.

Portanto, é imprescindível que o Estado intervém nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação realizar um programa nacional sobre a necessidade da sociedade se autoconhecer, a fim de não se subjugar cegamente ao ambiente digital. Esse projeto ocorrerá mediante a palestras e a aulas interdisciplinares de sociologia e psicologia que demonstrarão obras literárias que apontavam para perigo do mundo virtual sobre indivíduos que desconhecem a si mesmo. Dessa forma, uma escola que exerce a sua função além de evitar a uniformização do corpo social, permitir-se-á, também, que o homem desfrute da era digital de forma mais crítica.