Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 26/05/2020

A animação da Pixar, Divertida Mente, conta a história de Riley, uma menina que passa por mudanças em sua vida e precisa aprender sobre si mesma para lidar com suas emoções primárias. Fora do tablado da ficção, o autoconhecimento é característica importante para uma vida equilibrada e harmoniosa, principalmente, na sociedade contemporânea, em que pessoas sofrem grande influência dos meios digitais, o que traz à tona sentimentos negativos, como o de incapacidade. Isso se deve à baixa inteligência emocional adquirida pelos indivíduos, que pode acarretar a falta de autenticidade.

Em primeiro plano, para a compreensão de si mesmo, é importante que o ser humano busque se conhecer, pois, como afirmava o filósofo antigo Aristóteles, a obtenção do conhecimento é fundamental para que o indivíduo atinja a plenitude humana. Infelizmente, com o aumento do consumo das mídias, sobretudo, das redes sociais, houve, também, um aumento dos problemas psicológicos, conforme estudo feito pela Royal Society for Public Health, por exemplo, a baixa autoestima, a insegurança e o sentimento de incapacidade. Esses problemas estão relacionados com a baixa inteligência emocional, que é a capacidade de controlar os sentimentos e emoções. Para que isso aconteça é de suma importância que o indivíduo faça um estudo de sua vida e observe o contexto familiar em que está inserido com o intuito de se autoconhecer.

Em segundo plano, outro fator que se desenvolve em virtude da falta de conhecimento sobre si mesmo é a falta de autenticidade. É comum pessoas sofrerem influência da vida de outras pessoas e consumirem produtos dos chamados “influenciadores digitais”. Além de serem propagadores de informações, costumam compartilhar o dia a dia de forma “perfeita”. Por esse motivo, o indivíduo que não possui controle sobre suas emoções pode se tornar um “corpo dócil”, que é aquele, segundo o filósofo Michel Foucault, que pode ser manipulado, transformado ou administrado. Dessa forma, acaba por perder autenticidade e essência, por querer, mesmo que inconscientemente, se transformar em outra pessoa.

Portanto, de acordo com os fatos mencionados, é mister que as escolas devem, por meio de debates e seminários sobre a relevância do autoconhecimento, ministrados por psicólogos, ajudar na formação dos jovens, de forma a contribuir e orientá-los na busca de um melhor conhecimento pessoal. Ademais, é imperioso que a família promova conversas, frequentemente, acerca dos acontecimentos hodiernos da vida das crianças e dos adolescentes com o objetivo de estimular a construção de pensamento dos mesmos, para que possam se observar e se conhecer. Destarte, a sociedade conseguiria ter e manter uma maior saúde mental.