Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 27/05/2020

Na filosofia, a máxima socrática “conhece-te a ti mesmo”, tornou-se uma referência, pela busca não só do autoconhecimento, mas de conhecimento do mundo. Na contemporaneidade, a importância de se conhecer é o ponto de partida para uma vida equilibrada, tendo em vista que os efeitos causados pela falta desse conhecimento englobam tanto a manipulação do comportamento do usuário, como a necessidade de aprovação na esfera virtual, sendo, portanto, aspectos que precisam ser analisados.

A princípio, de acordo com a teoria bourdieusiana, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Isso faz referência ao fato de que, hodiernamente, empresas e governos tentam monitorar o usuário a partir de escolhas feitas nas plataformas. Dessa maneira, caso o indivíduo não conheça a si mesmo, aquilo que foi inserido no cotidiano como forma de democratizar o acesso, segundo Pierre Bourdieu, será tido como algo manipulável que atingirá as fraquezas do indivíduo, o que faz com que se perca a identidade de escolha.

Outrossim, segundo a teoria do Bovarismo, de Jules de Gaultier, o indivíduo acredita tão exageradamente que é possível ser outra pessoa que passa a se reconhecer e entender como tal. Isso tem tomado proporções gigantescas na contemporaneidade com a presença cada vez mais notória da internet no cotidiano. Desse modo, essa vontade de querer ser igual a alguém no universo virtual, bem como a necessidade de aceitação, são reflexos da falta de autoconhecimento, que pode atribuir, posteriormente, problemas como baixa auto estima, aumento no nível de depressão e, até mesmo, depressão.

Torna-se evidente, portanto, que para mudar a realidade atual, é necessário que o Governo, em parceira com o Ministério da Tecnologia (MCTIC), crie cursos onlines e gratuitos sobre inteligência emocional, nos quais, por meio de palestras com profissionais, demonstrem ao indivíduo a necessidade de se conhecer para não ficar “preso” ao que é imposto pela mídia através do “marketing”. Além disso, cabe às instituições escolares investirem no ensino sobre educação socioemocional desde a infância - pois a fase escolar é o período maior de formação de identidade -, por meio de aulas práticas, livros e pela própria plataforma digital, para que a sociedade entenda a importância de conhecer a si mesma e consiga se relacionar melhor em comunidade. Dessa maneira, chegar-se-á em um patamar no qual existirá uma navegação mais segura e sem os riscos causados pela falta de autoconhecimento no âmbito digital.