Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 27/05/2020
‘‘Quando a gente não sabe aonde vai, qualquer caminho serve’’, essa interpretação da fala do Gato de Cheshire para Alice - no filme ‘‘Alice no país das maravilhas’’ - foi usada quando ela, perdida, perguntou-o qual melhor caminho seguir. Hoje, esse questionamento também é feito fora das telas, e nem todos esses caminhos trazem bons resultados. Uma vez que, a falta de autoconhecimento na era digital traz efeitos negativos que influenciam diretamente no convívio em sociedade.
A princípio, em ‘‘Psicologia das massas e análise do erro’’, do psicanalista Freud, o outro pode ser visto como modelo. Essa afirmativa faz com que a psicologia individual e a social tenham uma relação mutualística que pode sofrer bastante influência pela falta de autoconhecimento, o que pode fazer com que o indivíduo crie expectativas sobre um modo de vida - que não necessariamente condiz com o seu - , projete uma falsa realidade e se frustre no fim, podendo adquirir transtornos psicológicos. Isso se agrava com o aumento da influência da era digital na sociedade,principalmente entre os jovens, como comprovado pela Folha de SP ao dizer, que os casos de ansiedade e depressão crescem com o uso inadequado da internet.
Além de gerar esses transtornos psicológicos, a falta de autoconhecimento na era digital fomenta a patologia típica da sociedade capitalista, o consumismo. Nesse sentido, a falsa indispensabilidade dos produtos faz com que as pessoas ainda os comprem, somente para satisfazer um desejo que lhes foi imposto. Haja visto, que para o filósofo Marx, na sociedade capitalista, a mercadoria é fetichizada, a fim de que seja consumida desenfreadamente. Assim, esse desconhecimento de si se torna uma vítima perfeita da padronização dos gostos - que para o sociólogo Adorno, a indústria de massa visa a estimulação do consumo através da massificação e consequente padronização do desejo dos consumidores - , o que afasta mais ainda o indivíduo do pensamento crítico e ativismo na sociedade.
Torna-se , pois, de extrema importância a prática de medidas que revertam os efeitos negativos da falta de autoconhecimento na era digital. Dessa forma, cabe ao Estado promover o acompanhamento psicológico mensal e a estimulação do ensino da filosofia e sociologia nas escolas. A fim de orientar os jovens, principalmente, quanto ao uso adequado das mídias e instigar seu pensamento crítico sobre a sociedade. Cabe também à sociedade civil denunciar e alertar ao Estado e às pessoas, respectivamente, sobre os excessos de divulgação de determinado produto ou marca. A fim de atenuar seus efeitos negativos através de programas sociais nas cidades. Assim, o indivíduo pode por si só escolher qual melhor caminho seguir.