Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 26/05/2020

Na canção ‘Adorável Chip Novo’, a cantora brasileira Pitty maneja verbos no imperativo, “pense, fale, compre, beba”, indicando o interlocutor - que dá as ordens, interpretando o papel da mídia - e o receptor - que as recebe, sendo este a sociedade. No entanto, com o avanço das tecnologias no século XXI, junto do surgimento da ‘Geração Z’, o papel de influência desempenhado pelos meios de comunicação passou a ser cada vez mais nítido, resultando na falta do autoconhecimento na era digital. Sendo assim, é fulcral ressaltar a ausência de fiscalização para com o conteúdo midiático propagado pelos meios televisivos e virtuais, junto da carência de suporte psicológico para com os afetados por este conteúdo, fomentando prejuízos sociais em decorrência destes.

Em primeiro plano, questões sociais estão intimamente ligadas ao controle de informações na internet e sua relação para com o meio social. Nesse âmbito, a obra ‘Fahrenheit 451’, do autor Ray Bradbury, delata uma sociedade utópica na qual os livros foram queimados e, por consequência deste, é influenciada por conteúdos televisivos programados pelo Governo, gerando o controle social. Fora da ficção, a utopia apresentada por Bradbury pode ser relacionada aos impactos da influência digital no meio social quando analisados dados do Instituto Qualisbest, que aponta a persuasão digital no poder de compra dos brasileiros, da classe mais baixa até a mais alta, em um número equivalente a 72%.

Por conseguinte, durante o século XX, a sociedade presenciou uma forte influência Hollywoodiana em seus comportamentos, tendo em vista que, durante a chamada ‘Era de Ouro’, astros de cinema recebiam cachês altos para fumar em seus filmes (via G1), o que gerou um sentimento de inveja na população, alterando seu poder de compra e, em paralelo, seus modos, dando início ao vício na substância ’nicotina’ e romantizando o uso da mesma. Em posse dessa informação, ao analisar a tirinha da personagem Matilda, que, ao assistir TV, vê-se em uma crise identitária e reconhece que esta é consequência da mídia e de sua persuasão nas propagandas, fazendo com que Matilda se desconheça como indivíduo, passando a ver-se como a mídia enxerga-a.

Portanto, é papel do Governo Federal, como instituição regulamentadora da internet no território nacional, trabalhar na fiscalização e controle das propagandas midiáticas difundidas nos meios televisivos e digitais. Outrossim, é imperioso que o Ministério da Saúde democratize o tratamento psicológico gratuito para a população, visando tratar as crises de autoconhecimento em razão da mídia. Quiçá, é papel fundamental dos meios de comunicação averiguarem seus conteúdos propagados e a finalidade dos mesmos, com o intuito de desenraizar a influência negativa dos mesmos no meio social e, assim, evitando a concretização de uma sociedade como a delatada em ‘Fahrenheit 451’.