Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 01/05/2020
Sócrates, um dos maiores filósofos da história, defendia que o autoconhecimento é o passo mais importante para o indivíduo agir conforme a razão e não ser tomado pelo senso comum. Entretanto, em meio a era digital moderna, grande número de pessoas sofre para discernir sua essência e, por conta disso, estão susceptíveis a uma gama de doenças psicológicas e a manipulação pelos diversos meios de comunicação. Nesse sentido, considerando a dimensão alarmante que tais problemas possuem no período hodierno, é incabível a manutenção dessa conjuntura.
Primeiramente, é importante comentar o papel da falta de autoconhecimento para o desenvolvimento de graves doenças psicológicas. A esse respeito, de acordo com Aristóteles, o maior propósito do ser humano é alcançar a felicidade com o exercício e conhecimento de suas virtudes. No entanto, é perceptível que, com a recepção descontrolada do grande número de informações e tendências presentes na era digital, assim como a necessidade imposta pela sociedade do indivíduo se adequar a esses padrões, este acaba por se abster de si para obter a aceitação dos demais. Com isso, baseando-se na perspectiva de Aristóteles, o indivíduo perde a noção de suas virtudes e se torna infeliz, podendo adquirir diversas doenças psicológicas, como depressão e psicose que, com o crescimento gradativo, podem levar a pessoa ao suicídio. Dessa forma, é observável que deve-se haver alguma ação que possibilite o apoio para o indivíduo desenvolver o conhecimento sobre si.
Além dos efeitos psicológicos, é importante citar tal problemática como agente para a alienação dos cidadãos. Acerca disso, tomando como base o discurso de Karl Marx, as massas que aceitam a ideologia imposta pelas elites estão sujeitas a diversas alienações, entre elas a política. Sob tal óptica, unindo as ideias de Marx e Sócrates, o indivíduo que não possui discernimento de si está sujeito à se apoiar no senso comum e, consequentemente, se perder na naturalização acrítica da ideologia vigente, alienando-se. Assim, a falta de conhecimento possui um papel importante para a formação do analfabetos políticos e o controle dos cidadãos pelas classes dominantes.
Com base no exposto, é evidente a necessidade de medidas que auxiliem no processo para o autoconhecimento. Para tanto, a ANATEL, em conjunto com o Ministério de Comunicações, deve motivar a busca pelo auto-discernimento, por meio do desenvolvimento e publicação de propagandas em vídeo ou/e anúncios laterais em diversas redes de comunicação - TV aberta, sites de pesquisa, e redes sociais -, a fim de instigar o abandono, pelo indivíduo, de certos padrões sociais e do excesso de influxo do senso comum. Dessa maneira, os indivíduos serão influenciados a se auto-conhecer e, com isso, a sociedade idealizada por Sócrates e Aristóteles estará mais perto de se consolidar.