Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital

Enviada em 01/05/2020

O filme “O jogo de imitação” conta a história do matemático Alan Turing que desenvolveu o precursor do computador com o objetivo de decodificar as mensagens nazistas durante a segunda guerra mundial. Posteriormente, essa tecnologia foi aperfeiçoada a ponto haver sistemas que conhecem mais detalhes de um determinado indivíduo do que ele, de si mesmo. Esse fato, torna-o vulnerável às mensagens digitais que exploram suas fraquezas e desejos inconscientes.

A priori, evidencia-se que o desenvolvimento da invenção de Turing trouxe avanços à humanidade, mas com eles vieram os algoritmos que montam perfis dos internautas como plataforma de negócio. Segundo o professor da Universidade da Califórnia, Martin Hilbert, “vivemos em um mundo onde algoritmos conseguem decifrar a personalidade de alguém melhor seu parceiro”. Desse modo, depois de alguns cliques, certos aplicativos passarão a conhecer mais do usuário do que ele, a si próprio. Destarte, essas informações servirão de guia que direcionarão mensagens a um determinado público com objetivos comerciais ou políticos de acordo com as preferências  pessoais.

Ademais, é relevante ressaltar que a montagem desse desenho pessoal que torna o usuário um alvo, acontece como resultado de seus acessos, interações e pesquisas sem as devidas precauções. De acordo com a Revista Exame, “O brasileiro gasta quase duas horas por dia apenas nas redes sociais de forma ativa”, ou seja, interagindo. Essa forma de exposição permite que se conheçam suas fragilidades e vontades sem que haja o autoconhecimento. Portando, os influenciadores digitais se aproveitam dessas vulnerabilidades para controlar o que deve ser escolhido ou comprado por seus seguidores.

Depreende-se, à vista disso, que é fundamental que o cidadão seja livre em suas escolhas. Logo, é preciso que o Ministério da Educação monte um curso, por meio de videoconferência, para professores e alunos, de forma que todos conheçam as armadilhas da internet. Nessas aulas deverão ser abordadas as formas de garimpagem de dados que serão utilizadas em desfavor de quem interage nas redes sociais ou “sites” de buscas. Espera-se, com isso, que o cidadão conheça a si mesmo e não se exponha, negligentemente, aos algoritmos. Por fim, almeja-se que cada indivíduo seja soberano sobre seus atos, desejos e vontades, ao resistir aos apelos digitais do “e-comerce” ou eleitoreiros.