Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 30/04/2020
No século XX, com o desenvolvimento da Terceira Revolução Industrial, diversos meios de propagação de ideias e conhecimentos foram criados, o que pode ser visto até os dias de hoje, diante da presença indispensável dos aparelhos digitais. Todo esse conjunto de mudanças, possibilitou, principalmente aos governantes e aos empresários, uma compreensão do meio circundante nunca antes vista no mundo, fato que os permitiu manipular e prever os anseios da sociedade com muita precisão. Diante disso, como consequência desse processo, no mundo atual, as pessoas passaram a viver não mais de acordo com as suas realidades, mas sim em conformidade com aquilo que é pregado pelas grandes mídias sociais.
Nesses termos, vale a realização de uma análise acerca dos elementos que compõem a questão do excesso de conhecimento que o Estado e as grandes corporações têm sobre os indivíduos. De acordo com o historiador Yuval Noah Harari, na contemporaneidade, as instituições empresariais e governamentais adquiriram o poder de influenciar o que será ou não pensado pela sociedade. A assertiva mencionada, permite inferir que em um futuro iminente as pessoas não conseguirão reconhecer as suas próprias especificidades, haja vista que o mundo pós-moderno se tornou tão volátil que os indíviduos não conseguem mais ter a habilidade de diferenciar aquilo que eles são daquilo que lhes foi adicionado pelo " establishment".
Sobreditas algumas das partes que ladeiam a temática proposta, vale, ainda, salientar o fator persuasivo que é acometido pela ausência de autoconhecimento pelas pessoas. Conforme assinalou Cristopher Lasch, um pensador americano, hoje, as pessoas são vistas como títeres nas mãos dos engenheiros sociais das empresas globais. A afirmação feita pelo pensador supracitado, reflete o grande problema do século XXI, que é a perda, pelas populações, da autonomia para conceber o que é circulado na mente humana, pois é sabido que a cada dia se pensa mais nas coisas que são ditadas pelas empresas de propagandas do que naquilo que é realmente oriundo das diferentes situações da vida social.
Assim sendo, é nítido que muitos são os impasses nas relações do ser humano com o seu meio. Portanto, o Poder Legislativo pode desenvolver leis que diminuam o acesso do Estado e das empresas na vida privada, fazendo sistemas que venham impedir o monitoramento em demasia, na finalidade de devolver o direito da posse do autoconhecimento para as pessoas. Ademais, o Governo Federal deve fazer campanhas publicitárias para instruir o público no aprendizado sobre a navegação na internet, com o fito de proporcionar a sociedade a possibilidade de ser independente novamente.