Os efeitos da falta do autoconhecimento na era digital
Enviada em 04/05/2020
A música do cantor Tiago Iorc, Desconstrução, narra as singularidades em ruína na era digital, em que os usuários vestem um ego conveniente para se encaixar em um determinado grupo e receber curtidas dos seus seguidores. Nesse ínterim, a falta de autoconhecimento entre os membros da era cibernética tem gerado alguns efeitos negativos para os indivíduos que se utilizam desse meio,tornando-os emocionalmente volúveis . Dentre os efeitos, a busca constante por validação alheia através de “likes” e a fácil manipulação pelo controle de dados pessoais são alguns dos efeitos da falta do conhecimento de si próprio na era digital.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que as redes sociais têm adquirido o papel de autopromoção dos usuários. Visto que, para sanar a autoestima frágil e a falta de autoconhecimento, os indivíduos têm buscado a validação alheia através de “likes” e comentários dos seus seguidores. Isso ocorre porque, segundo o pensador polonês Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade de comportamentos líquidos. Nesse sentido, para contornar a complexidade da construção de uma auto-afirmação individual, os indivíduos se utilizam de uma alternativa frágil e presunçosa que é a mídia social para validar a si mesmo. Indubitavelmente, a autoestima de uma geração apoiada em pilares frágeis como “likes” e comentários é espelho de uma coletividade emocionalmente leviana.
Ademais, o controle de dados existente por algoritmos nas redes faz com que empresas anunciantes tenham acesso aos padrões de preferência dos navegadores. Nesse ínterim, o usuário, com auto-avaliação leviana, fica mais vulnerável à propagandas quase que personalizadas para ele, seduzido-o a consumir o que for de interesse para as corporações. Tal cenário moderno é propício para uma manipulação de comportamento de uma geração que não trabalha a auto-crítica de suas atitudes. Esse contexto pode ser atribuído à docilização dos corpos, ideia proposta pelo francês Foucault, em que os poderosos utilizam-se de recursos, tais quais à mídia, para manter a coletividade alienada e obediente a determinada construção social. Nesse sentindo, a falta de auto-conhecimento torna o individuo mais leviano e submisso a uma conjuntura opressiva sem ter a capacidade de questiona-lá.
Por fim, para construir um auto-conhecimento entre os indivíduos a fim de criar uma relação mais saudável entre homem e rede, algumas medidas devem ser tomadas pelo Estado. Primeiramente, o MEC deve colocar ,na sua grade curricular, aulas orientadas por psicólogos, voltadas para a inteligência emocional e o uso consciente da internet, visando a criação de um geração mais segura de si, que não busque validação nesses meios. Ademais, o MP deve monitorar a obtenção de dados por empresas, através dos algoritmos, a fim de estabelecer limites dessa extração de dados pessoais.