Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 09/11/2021

Segundo Thomas Malthus, economista britânico do século XVIII, os suprimentos alimentares produzidos não seriam suficientes para abastecer toda a população. Contudo, hodiernamente, nota-se que o pensador europeu estava equivocado, o que não elimina a necessidade de debater sobre a questão alimentar no Brasil, marcada por uma produtividade notória, mas que, mesmo assim, ainda apresenta um acesso desigual aos alimentos de acordo com a situação financeira do cidadão.

Nessa perspectiva, é imperativo destacar a evolução produtiva no setor agropecuário brasileiro. Como exemplo, vale citar o caso da Revolução Verde, ocorrida na segunda metade do século XX, caracterizada por uma intensa evolução dos recursos tecnológicos rurais, o que possibilitou o aumento excessivo da produção de alimentos. Nesse viés, depreende-se como a disponibilidade de suprimentos alimentares cresceu nacionalmente, visto que, pelos benefícios do marco tecnológico ocorrido no campo, a disponibilidade de terras agricultáveis foi acentuada e, consequentemente, a possibilidade de produzir ainda mais. Dessa feita, é lícito afirmar que o Brasil, ao longo das últimas décadas, apresentou um desenvolvimento ímpar no que tange à produção alimentar.

Entretanto, é oportuno comentar como a desigualdade financeira que permeia o território nacional influencia, fortemente, no acesso à comida por parte dos cidadãos. Exemplificando, cabe ressaltar os estudos feitos pelo pesquisador Boris Fausto, renomado historiador brasileiro, que revela o processo histórico ligado às desigualdades no país, até mesmo no contexto alimentar. Segundo o estudioso, o Brasil apresenta uma comunidade marcada pelo racismo, em parte pela abolição tardia da escravatura, e pela falta de oportunidades generalizadas, motivadas pelos estereótipos preconceituosos históricos, o que limita o acesso aos recursos básicos apenas às elites ou pessoas favorecidas. Mostra-se, assim, a complexa problemática relacionada à questão alimentar nacional.

Depreende-se, portanto, em vista dos fatos supracitados, a necessidade da atuação do Estado para amenizar estes problemas. Logo, urge que o governo, por meio de subsídios aos pequenos agricultores, aumente a disponibilidade de alimentos destinados ao mercado interno, a fim de diminuir o preço dos suprimentos alimentares comprados pelos brasileiros e, por conseguinte, abranger o acesso à comida por parte da população menos favorecida. Paralelamente, faz-se imprescindível que o Ministério da Cidadania, por intermédio de uma associação com ONGs, elabore programas de doação de cestas básicas para famílias carentes que não possuem situação financeira necessária para sua subsistência, com o intuito de que teorias como as de Thomas Malthus, assim como o desigual acesso à comida por parte dos cidadãos, permaneçam no passado.