Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 20/06/2021

Consoante dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), promovida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), em 2003, quatro em cada dez brasileiros apresentavam excesso de peso, no entanto, em 2019, essa percentagem aumentou, seis em cada dez brasileiros tinham sobrepeso nesse ano. Dessa forma, pode-se inferir que apesar da relevância da alimentação na qualidade de vida e na saúde, ela é tratada com descaso por parte de alguns brasileiros; o que gera um contraste entre um histórico nacional marcado pela fome e o presente caracterizado pelo sobrepeso e pela obesidade. Assim sendo, faz-se imperioso analisar as causas e consequências dessa situação.

Em uma primeira análise, deve-se salientar que a publicidade da indústria alimentícia e a predominância de rótulos pouco compreensíveis e manipuladores fomentam o consumo de alimentos deletérios à saúde do indivíduo. Nesse sentido, as propagandas das empresas alimentares têm o intento de persuadir o possível comprador, por meio da difusão dos pontos positivos de um determinado alimento. Entretanto, por razões estratégicas, os malefícios que o consumo constante desse produto pode promover são omitidos e, por conseguinte, o consumidor tende a adquiri-lo sem a ciência cabal das características do item. Além disso, tal conjuntura é intensificada pelos rótulos obscuros de diversas embalagens, que, com pequenas letras, não transmitem, de forma clara, as informações nutricionais básicas do conteúdo ao consumidor, aumentando, assim, a manipulação.

Em consequência disso, várias moléstias acometem a população brasileira. Segundo uma pesquisa divulgada na revista médica The Lancet, uma das mais prestigiadas, cerca de onze milhões de pessoas morreram no mundo, em 2017, de alguma doença decorrente de maus hábitos alimentares - principal causa de mortes em todo mundo - número que transcede o de mortes em virtude do tabagismo, por exemplo. Ademais, observa-se que além de poder ser fatal, a má alimentação provoca uma ínfera qualidade de vida, pois, frequentemente, origina doenças crônicas, tais como diabetes e obesidade, e abonimáveis sensações, como a de ter um infarto agudo do miocárdio.

Depreende-se, destarte, a necessidade de combater as motivações dessa problemática. Para tal, faz-se mister a execução de campanhas midiáticas que informem a população sobre os princípios de uma alimentação equilibrada e acerca das implicações da negligência alimentícia, pelo Ministério da Saúde, por intermédio de propagandas na televisão aberta - no horário de grande audiência - e discursos de formadores de opinião nas redes sociais, a fim de instigar hábitos alimentares que proporcionem uma vida sadia. Outrossim, é imprescindível a adoção de regras mais rígidas para os rótulos de alimentos - fontes maiores, adoção de linguagem mais clara, selos com advertências - pela  ANVISA.