Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 29/05/2021

No conto popular “João e Maria”, escrito pelos irmãos britânicos Grimm, os personagens homônimos se perdem em uma floresta e lidam com os perigos advindos da fome ao entrar em uma casa feita de doces, mas que pertencia a uma bruxa que almejava devorá- los. Apesar do caráter ficcional da obra, é possível perceber que o cenário instável retratado é real, visto que os índices de insegurança alimentar voltaram a subir no Brasil. Nesse sentido, é inegável que a raiz da problemática se encontra na negligência do Estado que não fornece políticas públicas para superar esse desafio que, consequentemente, gera doenças atreladas à subnutrição. Diante disso, é necessário que o governo trilhe caminho para enfrentar esse imbróglio social.

Nesse contexto, é elementar que se leva em consideração que a negligência governamental potencializou o fenômeno da instabilidade alimentícia no país. Desse modo, os principais fatores que ilustram tal banalização são: a alta dos preços dos alimentos influenciado e os baixos investimentos na agricultura familiar, ambos decorrentes de cortes federais de recursos para pequenos produtores. Nesse viés, note-se que esses aspectos de valorização estatal de modelos agroexportadores, em detrimento de plantios locais, diminuem a quantidade de alimento disponível para o mercado interno e, proporcionalmente, o valor dos alimentos aumenta. Assim, o Estado é omisso perante o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988, o qual garante o direito à alimentação adequada, uma vez que a população carente sofre com a falta de disponibilidade de alimentos e com renda escassa. Então, é perceptível que a cidadania no Brasil se encaixa na obra “Cidadão de Papel”, do escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, já que não é efetivada na realidade e as leis permanecem inertes no papel. Portanto, para promover, de fato, a acessibilidade alimentar proposta na legislação, é preciso que a política nacional volte a investir nos cultivos minifundiários. Em decorrência disso, verifica-se a existência de inúmeros prejuízos decorrentes da fome, como aumento de casos de subnutrição. Tais fragilidades impactam em todas as esferas da vida dos obrigados, já que a alimentação é uma necessidade fisiológica. Sob essa óptica, é visível que há potencialização de desigualdades consequentes da falta de comida, pois a falta de nutrientes não afeta somente a saúde, mas também a escolaridade, o emprego e o convício social. À luz dessa constatação, é lícito referenciar o poema “O Bicho”, do escritor brasileiro Manuel Bandeira, o qual relata a condição miserável de um homem que sofre com a fome e passa a ser desumanizado, sendo tratado como um animal de rua. Nesse ínterim, uma população subnutrida assemelha-se à obra retratada, pois é privada de ter acesso aos direitos básicos - saúde, educação, emprego, alimentação e cultura - como comprovam os valores baixos do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) nos locais onde a insegurança alimentar predomina. Logo, é urgente superar os desafios supracitados, a fim de promover o bem-estar e a dignidade humana. Portanto, para minimizar esse fenômeno é dever do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, criar um plano de enfrentamento a uma falta de comida, por meio de subsídios à agricultura familiar, quais são o aumento da produção interna, com a geração de renda e alimentos mais originados às populações vulneráveis. Ademais, cabe ao Ministério da Cidadania ONGs auxiliares engajadas com as situações de subnutrição, por intermédio de incentivos financeiros e apoio estrutural, os quais promovam doações alimentícias, consultas com nutricionistas e com profissionais da saúde, a fim de garantir uma cidadania plena e distanciar o Brasil do cenário de perigo alimentício do conto “João e Maria”.