Os desafios relacionados à alimentação no Brasil

Enviada em 03/12/2020

A revolução verde, de fato, aumentou a produção agrícola no Brasil e no mundo. Sementes geneticamente modificadas, agrotóxicos e máquinas especializadas foram algumas das inovações. No entanto, essa industrialização do campo trouxe consigo um problema: a quantidade em detrimento da qualidade da comida. Por esse e por outros motivos, a alimentação do brasileiro se torna pior a cada ano. Nesse contexto, se faz necessário discutir as causas políticas e socioeconômicas e os impactos na saúde pública, que essa má nutrição gera.

Em primeiro lugar, é importante falar sobre o alarmante consumo de agrotóxicos no país. Segundo a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso desses pesticidas no Brasil foi maior que o dobro da média mundial na última década. Isso ocorre, pois há no Congresso Nacional uma ardilosa bancada ruralista, que se beneficia ao aprovar a venda desses químicos. Isso porque, de acordo com o conceito de oferta e demanda do filósofo Adam Smith, quanto maior a disponibilidade desses agrotóxicos, por exemplo, menor  seu preço de mercado e portanto, melhor para o lucro dos latifundiários. Todavia, tanto veneno no prato do brasileiro é péssimos para a saúde  pública,  pois segundo a Organização Mundial da Saúde, os agrotóxicos são um dos principais causadores de câncer na atualidade.

Adicionalmente, outro fator que contribui para a má alimentação no país é o alto custo para se comer de forma saudável. Por exemplo, os produtos orgânicos nos mercados chegam a custar, em média, 45% a mais, de acordo com o Conselho Brasileiro de Produção Orgânica. Esse fato se explica pela inviabilidade, por parte dos pequenos produtores rurais e restaurantes, de praticarem o mesmo preço das grandes redes, que por sua vez possuem uma margem de lucro muito maior e podem estabelecer valores de venda mais competitivos. Dessa forma, à primeira vista, se torna mais vantajoso economicamente para o consumidor ingerir o alimento menos saudável. Portanto, ficando mais propenso à doenças como a hipertensão e a diabetes.

Diante do discutido, nota-se que é imprescindível mudar as políticas alimentares do Brasil. Para esse objetivo, é necessário que o Ministério da Saúde intervenha no uso de agrotóxicos. Isso pode ser feito por meio de um estudo que identifique quais desses são mais nocivos aos humanos, para que assim sejam proibidos, bem como por meio do aumento de impostos sobre os pesticidas - assim como já é feito com os cigarros e as bebidas alcoólicas - por exemplo. Também é importante veicular através da mídia televisiva, propagandas que alertem sobre a importância de uma boa alimentação para a prevenção de doenças. Para que, dessa forma, se incentive a ingestão de produtos orgânicos, e o Brasil se torne mais voltado para a economia familiar e para um consumo mais salutar de alimentos.