Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 23/03/2022

O pesquisador galês Raymond Williams foi um dos principais estudiosos e criadores dos estudos culturais. Williams defendia que a cultura é ordinária, presente em toda a sociedade e em toda mente. Era algo novo, que fugia aos conceitos elitistas e exigia uma abordagem democrática das artes. No entanto, quando se observa os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, percebe-se que o olhar para a arte é elitizado e excludente, fruto da segregação e do preconceito da sociedade.

Inicialmente, é notável que como herença da hegemonia cultural das classes dominantes, há uma marginalização e desvalorização da arte de rua. Nessa perspectiva, segundo Antonio Gramsci, filósofo italiano, as diferentes formas de coerção da burguesia e sua autoridade sobre as classes inferiores, envolvem artifícios mais sofisticados que a violência, como as ideias. Sob essa ótica, nota-se que esse discurso hegemônico molda e leva os cidadãos a desconsiderar e desprezar essas manifestações artísticas, que em sua maioria não são produzidas ou aclamadas pela alta sociedade.

Além disso, é perceptível a discriminação da população ao enxergar os grafites feitos nas ruas como vandalismo, o que demonstra o preconceito enraizado nesses indivíduos. Segundo o filósofo italiano Noberto Bobbio, pensamentos preconceituosos são opiniões errôneas que não passaram pelo crivo do raciocínio. Sendo assim, nota-se a carência de ensino cultural nas escolas, para que haja a formação de cidadãos que valorizem a cultura e saibam acolher e refletir sobre a arte urbana, sem estarem submetidos à escuridão dos prejulgamentos.

Conclui-se, deste modo, a importância da resolução da problemática. Para que isso se concretize, é necessário que o Ministério da Educação implemente através de aulas e palestras, educação cultural nas escolas. Outrossim, a atuação da Secretaria de Cultura também é indispensável, podendo destinar verbas para investir nos artistas e difundir a arte urbana pelas ruas das cidades. Dessarte, teremos assim como defendia Williams, uma produção artística mais democrática.