Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Uma cabeça diminuta e um corpo agigantado. Essa é a imagem presente na obra “Abaporu” da Tarsila do Amaral, com a qual a pintora tem a intenção de expor a ausência de senso crítico do brasileiro início do século XX. Entretanto, esse déficit perdura até os dias atuais e tem gerado posturas resignadas perante entraves como os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Nesse prisma, é importante analisar a negligência estatal e a banalização do mal que envolvem essa questão no país.
De início, pontua-se que o Poder Público se mostra negligente ao permitir esse desafios. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta mostrar à população sobre a importância da arte como ferramenta cultural de desenvolvimento intelectual e cognitivo de uma sociedade, o que prejudica a integração artística urbana. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem certificado o bem-estar da sociedade como um todo, demonstrando, dessa forma, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo John Locke.
Além disso, verifica-se que aceitar esse desafios é banalizar o mal. Porém, parte da população tem apresentado certa apatia diante da ausência de investimento financeiro, posto que faltam verbas destinadas para a valorização cultural, o que compromete a divulgação da arte urbana. A banalização desse problema pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah Arendt, já que, em virtude de um processo de massificação social, as pessoas estão perdendo a capacidade de discernir o certo do errado.
Cabe, afinal, admitir que os desafios para a valorização da arte urbana devem ser superados. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização social, priorizando palestras educacionais em ambientes públicos, com o objetivo de aumentar a inclusão artística. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada perante tal desvalorização, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de investimento financeiro para a divulgação artística. Desse modo, a falta de senso crítico poderia ficar restrita ao “Abaporu” da Tarsila do Amaral.