Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 05/11/2021

O artista de rua Bansky, mesmo mundialmente famoso pelas suas pinturas, nunca revelou sua identidade, e é conhecido como artista invisível. Em contrapartida, essa “invisibilidade”, para os artistas urbanos brasileiros não consta como uma escolha, mas como uma imposição, haja vista os desafios para a valorização de suas expressões. Os quais, envolvem, obrigatoriamente, a mentalidade retrograda e à lacuna informacional. São prementes, pois, discussões sobre essa chaga social.

A princípio, vale destacar a concepção coletiva preconceituosa como potencial impasse na valorização das artes urbanas no Brasil. Nesse sentido, em seu conceito de Violência Simbólica, o sociólogo Bordieau define que existe uma violência sem coação física, mas que “fere” as vítimas em outros aspectos. Analogamente, esse conceito é perceptível na mentalidade social alusiva às “vozes” urbanas. Isso porque, prevalece uma ótica associativa do – grafite ,hip hop, criação de adesivos, entre outras artes - às mazelas sociais como o tráfico de drogas e sujeira nas cidades. Assim, mediante o preconceito aos artistas de metrópoles, as suas liberdades, seu caráter e integridade são violentados.

Outrossim, o vazio de informação é outro impasse para o prestígio das artes municipais brasileiras. Nesse viés, segundo o filósofo Kant, é no problema da educação que se encontra o aperfeiçoamento social. A par do raciocínio Kantiano, é fato que a desvalorização das manifestações urbanas é reflexo da falta de educação sobre suas importâncias. Tendo em vista que, informações a respeito de tudo que essas artes podem representar – lutas, vivências, lições, sonhos – tem influência de valor na criação de sentimentos como o respeito ou até a identificação com o que está ali exteriorizado. Logo, é notória como a ignorância ressoa no desinteresse acerca das exibições de ruas.

Torna-se evidente, portanto, que a concepção retrógada aliada a ignorância constituem-se como alarmantes freios na valorização da arte urbana nacional. Assim, faz-se mister que a Secretária Especial da Cultura promova campanhas educativas, por meio de propagandas nos principais canais televisivos do país – as quais apresentem artistas de rua contando a importância desse ofício em suas vidas – com o fito de alavancar a empatia, o respeito e admiração por essa forma de expressão.