Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 03/11/2021
A arte urbana enfrenta constantes desafios no âmbito social. Tal fato deve-se, sobretudo, à marginalização que essa manifestação artística enfrenta por ser associada com práticas de vandalismo, como a pichação, a qual é crime no Brasil. Dessa forma, a falta de acesso à cultura na sociedade, bem como o preconceito existente, são os principais fatores que contribuem para sua desvalorização.
Desse modo, cabe analisar a desigualdade na disseminação de manifestações artísticas no território brasileiro. Nessa perspectiva, é perceptível que a maior parte da arte urbana presente, no Brasil, encontra-se apenas nos grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, o que torna as outras regiões ultrapassadas e carentes de uma cultura que é de suma importância para o desenvolvimento cognitivo e criativo da sociedade. Sendo assim, tal situação, segundo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir direitos indispensáveis aos indivíduos, o que, infelizmente, é uma realidade brasileira. Logo, é imprescindível a intervenção estatal, a fim de valorizar a arte contemporânea.
Além disso, vale ressaltar o preconceito enraizado diante da arte urbana. Nesse viés, a Semana de Arte Moderna em 1922, foi um movimento artístico, influenciado pelas Vanguardas Europeias, que buscou romper o tradicionalismo e com isso, foi muito criticado por artistas conservadores. Paralelo a esse acontecimento, o grafite e as demais pinturas de rua, também buscam quebrar padrões, apesar de serem manifestações artísticas diariamente julgadas por pessoas que desconhecem a sua importância de revitalizar as cidades, além de serem um símbolo de preservação cultural. Por este motivo, é inadmissível que sua desvalorização continue a perdurar.
Urge, portanto, o dever de solucionar os desafios supracitados. Para isto, o Ministério da Educação, como responsável pelo sistema educacional brasileiro, deve atuar em um contexto de valorização da arte urbana, por meio de projetos sociais, que ofereçam cursos gratuitos de grafite e pinturas de rua, os quais sejam realizados em todas as cidades brasileiras, a fim de democratizar o acesso às manifestações artísticas, além de desconstruir o preconceito enraizado na sociedade, por intermédio das exposição de obras feitas pelos alunos. Somente assim, será possível construir um país que cumpre com o “contrato social” defendido por John Locke.