Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 09/11/2021

A filosofia de Arthur Schopenhauer, pensador contemporâneo, indica que o ser humano é sempre guiado pela sua inatingível vontade, a qual só é saciada caso haja o consumo de manifestações artísticas. Diante desse cenário, é notório que a tese do autor indica não somente a necessidade da arte no cotidiano, mas também evidencia um problema relevante dentro da sociedade brasileira atual: os desafios para a valorização da arte urbana no país. Com isso, torna-se urgente perceber que o antigo posicionamento governamental e a indústria cultural são fatores que sustentam a problemática citada.

Nesse contexto, denota-se que o Estado brasileiro tem a função de mitigar a desvalorização da arte urbana no país, conquanto ele não age com esse propósito. Nessa lógica, de acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso à arte é assegurado pelo âmbito governamental, devendo a ele, portanto, incentivar as manifestações artísticas dentro do território, porém, fora desse pressuposto legal, não é assim que ocorre. Até março de 2009, a street art - arte de rua - era considerada um crime, desse modo, antes disso, eram presos todos os artistas que, ao usarem as ruas e faixadas como sua galeria, democratizavam o acesso cultural para pessoas mais simples, ação essa não apoiada pelo governo. Em suma, mesmo tendo sido descriminalizada, os preconceitos quanto a essa arte continuam vigentes dentro da nação, fato esse que se agrava ao analisar a antiga postura estatal que, por muito tempo, negligenciou a existência de uma arte mais social e presente nos arredores das cidades.

Ademais, deve-se compreender que a sociedade capitalista atual não engaja com a reprodução desse tipo de manifestação artística. Nesse sentido, cabe reiterar a tese de Theodor Adorno, a qual afirma que a indústria cultural monetária visa a transformação de tudo existente em uma forma de mercadoria, englobando não somente os produtos materiais como também os imateriais - cultura, comportamentos, etc -. Dessa forma, torna-se passível de compreensão que a venda da arte como forma de obter lucros já está enraizada dentro da realidade capitalista atual, o que, por conclusão, divulga a arte de rua como disruptiva, ou seja, fora dos padrões estabelecidos, desqualificando-a como arte de verdade, o que dificulta sua valorização no país e não permite progresso na problemática

Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, a fim de valorizar a arte urbana no Brasil, urge ao Ministério da Cultura criar programas sociais que instruam a população sobre a importância da street art dentro da sociedade, por meio de divulgações em veículos de comunicação. Isso pode ocorrer, por exemplo, com o auxílio de profissionais competentes na área artística, os quais levariam melhores instruções sobre essa importante manifestação. Por fim, espera-se, também, que a vontade de Shopenhauer possa, enfim, ser saciada por essa arte de rua.