Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/07/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e apoiará a valorização e a difusão das manifestações culturais. No entanto, no atual cenário brasileiro, a arte de rua, conhecida como grafite que é feita muitas vezes por pessoas marginalizadas, surge como cultura e não é valorizada como deveria. Nesse viés, surgem desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, tais como a capacidade de distinguir arte de vandalismo, e maneiras de atenuar o preconceito contra pessoas que praticam esse tipo de arte
A priori, o dadaísmo foi uma vanguarda artística europeia que surgiu no movimento modernista no Brasil do século XX. A primeira vez que essa forma de arte apareceu no Brasil foi duramente criticada e não apreciada pelos artistas e a comunidade da época, pois sua maneira de expressar a arte era diferente dos moldes clássicos. Nesse contexto, a arte urbana é análoga ao dadaísmo, uma vez que não é uma expressão artística que a maioria da população está habituada e é comumente confundida com vandalismo, de tal forma que a maioria das pinturas de rua sejam desvalorizadas e vistas como ato de rebeldia. Dessa maneira, a maioria da sociedade estando ciente do grafite como um meio de representatividade do povo e expor problemáticas sociais, valorizariam mais esse meio de expressão e comunicação e identificariam como arte, não como vandalismo.
Ademais, o filósofo Aristóteles na sua consepção de Estado, exigia que todos fossem tratados com igualdade e que os indivíduos não se lesassem mutuamente em seus direitos. O escritor afirma que em questão de direito todas as pessoas são iguais e merecem respeito. No entanto, infelizmente, não vemos isso no cenário da arte urbana no brasil, uma vez que os artistas que praticam essa arte sofrem discrimininação pois são vistos como marginais e desprovidos do conceito artístico, de tal forma que não há valorização desses praticantes do grafite e ,consequentemente, do próprio conceito de arte urbana. Dessa maneira, o direito ao respeito e de exercer cultura é tolhido desses artistas de rua.
Portanto, a consciência de distinguir arte do vandalismo e a diminuição da discriminação dos artistas de rua surgem como desafios para valorizar a arte urbana no Brasil. Logo, o Estado juntamente com empresas privadas devem disceminar o conceito de arte de rua, através de eventos e feiras sociais que tragam exemplos de grafites que representem a voz e a luta do povo, mas também trazer exemplos de atos de depredação, para que a população possa distinguir profundamente a diferença de arte e vandalismo. Ademais, o Estado deve realizar projetos com artistas de rua, atráves do financiamento de grafites, que representem a cultura local, em áreas públicas como prédios e muros antigos, para que os artistas e a própria arte urbana sejam valorizadas, menos descriminados e reconhecidos cada vez mais.