Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/07/2021

Na pré-história, os seres humanos desenhavam, escreviam e pintavam nas paredes e pedras das cavernas acerca da cultura, modo de vida e organização da sociedade da época. Não tão distante da história, a arte de rua é utilizada como forma de protesto e expressão pela população mais pobre. No entanto, essa manifestação artística sofre, não somente com o preconceito, mas também pela falta de incentivo governamental. Desse modo, medidas são imprescindíveis para superar os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil.

A princípio, é válido ressaltar que muitos indivíduos estabelecem um patamar inferior à arte urbana em relação a erudita. Esse panorama está ligado ao preconceito presente na sociedade, que desvaloriza criações populares. Isso ocorre porque a arte de rua é pouco estudada e difundida nas escolas no Brasil, que costumam valorizar e dar mais destaque para os clássicos. Consoante ao sociólogo Arthur Schopenhauer, o campo de visão de uma pessoa determina seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Concatenado a esse pensamento, o limitado conhecimento das pessoas acerca da arte urbana contribui com a persistência da desvalorização desse modo de expressão humana. Em razão disso, é preciso medidas para incluir as manifestações de rua nos colégios.

Ademais, convém salientar que o governo, ao invés de incentivar a arte feita pela população de baixa renda, desestimula e marginaliza essa prática. Nesse sentido, em 2017, o prefeito de São Paulo criou projetos de leis para a proibição do grafite e da pichação no estado. Tal circunstância intensifica mais ainda o preconceito contra as manifestações artísticas de rua, que são um meio de fala para as minorias e de denúncias sociais. Segundo o filósofo Aristóteles na obra “Ética a Nicômaco”, o estado deve governar para a felicidade dos cidadãos. Todavia, essa ideia não é cumprida devidamente pelo governo brasileiro, uma vez que o impedimento da arte urbana provoca insatisfação numa parcela da sociedade que utiliza esse meio como forma de expressão. Dessa maneira, soluções são necessárias para mudar o atual cenário.

Diante dos fatos supracitados, cabe às Escolas, por intermédio da reformulação da carga horária, implementar mais aulas de arte na grade escolar voltadas para o ensinamento das manifestações de rua, especificando a origem, os objetivos, as músicas e os desenhos desse tipo de arte, juntando aulas práticas e teóricas, a fim de valorizar as criações populares. Além disso, o Poder Legislativo, por meio da fiscalização e criação de leis, deve barrar decretos que são a favor da proibição da arte urbana e providenciar normas para reservar espaços nas cidades para propagar e incentivar esse tipo de prática. Feito isso, é possível que a arte rupestre contemporânea tenha um maior reconhecimento no Brasil.