Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 09/11/2021
“O que faríamos sem uma cultura?” disse a filósofa britânica Mary Midgley. Sabendo que a arte urbana sofre com desafios para sua valorização no Brasil, é possível afirmar que a sociedade caminha para uma realidade com poucos caminhos. Isso possivelmente tem causas como preconceitos raciais e/ou visão de superioridade em relação a outras formas de expressão de arte, por isso, deve haver caminhos para mitigar esses problemas.
É relevante abordar primeiramente, o mural “Híbrida Astral – Guardiã Brasileira” feito pela artista Criola no Festival Circuito de Arte Urbana (CURA) de 2018 em Belo Horizonte correu risco de ser apagado por decisão judicial. A obra faz referências à cultura afro-brasileira e indígena, por isso, a dona da obra diz que a possível decisão judicial está ligada à construção cultural de beleza que é eurocentrada, e também que o apagamento dessa arte é de certa forma a exclusão de uma cultura. Dessa forma, é possível ligar diretamente o preconceito contra a arte de rua ao racismo.
Outro fator imprescindível é o preconceito contra os artistas que produzem as mais variadas formas de arte urbana desde os que deixam sua arte marcada em muros por meio de desenhos e escritas até aqueles que se apresentam por meio de malabares. Os responsáveis por levar beleza e distração para a corrida vida urbana são muitas vezes chamados de “vagabundos” e “vândalos”. Por isso, é necessário que a arte de rua seja também vista com bons olhos assim como as obras presentes em museus.
Diante dessa problemática, constata-se que o Ministério da Cultura deve criar leis de incentivo à cultura de arte urbana no Brasil por meio de festivais e shows como o CURA em todo o país. Isso deve ser feito para que a população se acostume e naturalize a presença de arte urbana, e consequentemente valorize essa ação. Dessa forma, garante-se o previsto na constituição ao direito básico de acesso à cultura.