Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 29/06/2021
A arte urbana brasileira nasceu no contexto da Ditadura Militar e como outras artes relacionadas à Contracultura, visava questionar valores vigentes na época. Com o decorrer do tempo, essa arte continua a denunciar problemas e paradigmas sociais como a falta de liberdade de expressão, as desigualdade, entre outros temas. Assim, devido a sua origem popular e questionadora, a arte urbana não é valorizada de forma adequada, pois ainda é vista como inferior quando comparada a arte erudita. Além disso, devido a lenta mudança de mentalidade social somada ao fato de haver uma falta de debate sobre esse tema, muitas pessoas ainda não compreendem sua natureza artística.
Primeiramente, quando se trata de desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, um dos maiores emprecilhos é justamente a lenta mudança na mentalidade social. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é regida pelos fatos sociais, formas de pensar e agir coletivamente, por isso quando inserido em um contexto ainda bastante conservador como o Brasil, é difícil quebrar o ciclo do preconceito que marginaliza esses tipos de artes. Consequentemente, não é raro que grafites, por exemplo, que denunciam problemas sociais, sejam vistos como depredação do espaço. Dessa forma, para romper o elo dessa exclusão, é necessário que a população seja educada para isso.
Além disso, outra dificuldade encontrada é a falta de debate sobre a temática. De acordo com o filósofo Michel foucault, as estuturas de poder na sociedade pós-moderna fazem com que alguns temas sejam silenciados como forma de manter valores sociais vigentes. Assim, a arte urbana, notadamente conhecida por seu cunho de protesto contra injustiças e desigualdades sociais, ou mesmo por ser uma arte popular, não recebe o mesmo prestígio da arte erudita. Nesse sentido, um exemplo de marginalização é o fato ocorrido na cidade de São Paulo, quando as autoridades municipais apagaram centenas de grafite com a justificativa de limpeza e combate ao vandalismo.
Portanto, para que a arte urbana seja valorizada como legítima, é importante que se faça um trabalho de conscientização e educação das pessoas desde a mais tenra idade. Para isso, as escolas de educação básica devem inserir em seu currículo atividades que visem ao esclarecimento de sua importância para a cultura nacional, por meio de debates que falem sobre sua origem e valores , visitas a exposição desse tipo de arte, quais seus objetivos e qual a importância de dar voz a esses artistas. Assim, as crianças e adolescentes crescerão com mentalidade desconstruída a respeito de preconceitos que foram passados pelas gerações durante décadas.