Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 11/03/2021

A arte de rua no Brasil surgiu na década de 70, como forma de manifestação contra a Ditadura Militar. Por ser uma expressão de advinda de grupos marginalizados, os artistas ainda sofrem preconceito e dificuldades para se manifestar livremente; desafios com a aceitação de parte da população, e até mesmo da Constituição.

As formas mais populares de arte urbana são o grafite e a pichação; ambas surgiram da periferia, e por causa disso, dependendo do artista e do lugar onde são produzidas, sofrem desprezo. Há muitas divergências nas opiniões sobre a arte de rua, uns afirmam ser arte, outros, vandalismo e poluição visual.

Em 2017, o prefeito de São Paulo Dória removeu vários grafites das ruas da cidade, o que levantou debates sobre a desvalorização da arte urbana no Brasil, apelidando o projeto de “maré cinza” e o surgimento de protestos. Os artistas de rua brasileiros enfrentam frequentemente dificuldades com relação ao Governo e a Lei, como a possibilidade do enquadramento de grafites não autorizados em crime ambiental, e a proibição de manifestações artísticas em locais públicos, algo que contraria a própria Constituição, no artigo 5°, que diz que todo cidadão é livre para se manifestar artisticamente.

Se considerarmos arte toda e qualquer forma que o indivíduo usa para expressar sua subjetividade, então é necessário ressaltar a importância da arte urbana como forma de dar voz a população, principalmente grupos marginalizados, além de complementar a paisagem urbana contemporânea. Portanto, para levar à valorização dessa expressão artística, é necessário que o tema “arte de rua” seja levado às escolas, apresentando artistas renomados como o Kobra e o Crânio; a abertura de oficinas e workshops de grafite promovidos pelo Ministério da Cidadania; e que o STF reveja a incoerência nas leis para que os cidadãos possam se expressar livremente.