Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 07/03/2021

Em “Os Lusíadas”, Camões narra a expansão marítima portuguesa por um viés antropocêntrico, sendo o homem responsável por suas mazelas e conquistas. Fora da ficção, a realidade brasileira atual demonstra que a sociedade não entende-se como responsável no que diz respeito à valorização das artes urbanas. Diante dessa perspectiva, os desafios para o reconhecimento da arte urbana no Brasil têm como causa a lenta mudança na mentalidade social e encontram espaço em uma falta de representatividade.

A princípio, é preciso atentar para a concepção estigmatizada pela população brasileira presente na questão. Para Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da valorização da arte urbana brasileira é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Outrossim, outra dificuldade enfrentada é a questão da falta de representatividade. Para Rupi Kaur, “A representatividade é vital”. A poetiza ilustra sua tese fazendo alusão à uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Fora da poesia, verifica-se que a questão dos desafios para a visibilidade da arte nas cidades é impactada pela ausência de apreciação e respeito sociocultural que não está sendo fortemente encarada pela comunidade e autoridades, sejam governamentais, sejam midiáticas. Dessa forma, o tema não recebe a atenção devida, o que acaba por dificultar a atuação sobre ele.

É necessário, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a promoção das expressões artísticas na cidade. Para tanto, é necessário que o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação, juntos, promovam exposições e espaços para rodas de conversa e debates sobre a importância cultural das artes de rua. Tais eventos podem ocorrer por meio virtual e presencial, contando com a presença de professores, especialistas no assunto e os próprios artistas. Além disso, os eventos devem ser difundidos e abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao reconhecimento da arte urbana e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Assim, quiçá, o povo brasileiro se encaixará no viés antropocêntrico de Camões.