Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 09/03/2021

No século XIX, a história da arte brasileira é fortemente marcada pela Academia Imperial de Belas Artes que determinou a sistematização do ensino artístico. Nos dias atuais, é notório que apesar do conceito de arte ter mudado consideravelmente, os desafios para a valorização da arte urbana ainda são grandes. Nesse sentido, não somente a falta de recursos finaceiros suficientes, mas também o preconceito existente entram como principais problemáticas acerca do tema.

Preliminarmente, cabe ressaltar que a falta de recursos financeiros suficientes é um grande empecilho para o progresso. Isso acontece porque a arte urbana não é incentivada no país, tampouco nas escolas, tornando os investimentos em segmentos sociais escassos e aumentando a frustração de quem vive da arte. De acordo com o Instituto de Geografia e Estatística, o setor público destinou para a área da cultura 9,1 bilhões de reais em 2018, passando de 0,28% em 2011 para 0,21%. Nesse ínterim, sem dinheiro, a arte de rua não consegue sobreviver e o número de profissionais dispostos a ensinar é desestimulado e, muitas vezes, desiste da profissão.

Ademais, o preconceito existente também se qualifica como um empecilho para a resolução do problema, Tal motivo ocorre porque a herança deixada é que apenas a arte clássica é bela e deve ser apreciada, em detrimento da urbana que é marginalizada. Simultaneamente, a arte de rua é, acima de tudo, expressão da sociedade, representando a comunicação direta entre política, protestos e problemas sociais. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só pode agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, quais são suas origens e a condições de que depende. Dessa forma, fica comprovado que o poder público não consegue agregar o importante valor dos artistas.

Portanto, torna-se imprescindível que mudanças emergenciais sejam realizadas diante da triste realidade. Nesse sentido, faz-se necessário que o Governo Federal, através do Ministério da Cultura, libere maiores verbas para artistas de rua que possam auxiliar nos gastos necessários com o fito de que a arte seja estimulada no país. Além disso, cabe ao Estado, por intermédio da mídia, informar a importância da arte urbana para a história e cidadania, para que a população aprenda de forma didática e possa mudar sua mentalidade. Assim, poder-se-á ter a esperança de um Brasil respeitoso com todas as formas de arte.