Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 05/03/2021

Na obra “O Mundo como Vontade e Representação”, escrita no século XIX, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer descreve a arte como sendo uma ferramenta capaz de amenizar os sofrimentos humanos e proporcionar alento aos corações em meio ao caos que é a existência. Em contrapartida a esta perspectiva, de um dos maiores pensadores da história ocidental, o Brasil vive um período de tamanha desvalorização do setor artístico, mais especificamente, o da Arte Urbana. Tal panorama é favorecido pelo desinteresse da população por esse tipo de manifestação e também pela negligência do poder público.

É fundamental enfatizar, inicialmente, que a falta de valorização da arte urbana no Brasil é fruto principal do desinteresse da população por essas manifestações. Isso ocorre porque grande parte dos brasileiros não teve acesso à educação artística de qualidade durante seu período de formação, de modo que transparecese sua importância e seus benefícios para a vida em sociedade. Prova disso é que, segundo o portal de notícias “El País”, 71% dos cidadãos nunca foram sequer a uma exposição de tal natureza. Tal cenário preocupa, pois, além da desvalorização do setor, a desinformação também se torna um problema, uma vez que muitas pessoas não conseguem distinguir intervenções normalmente agressivas (pichação, por exemplo) do grafite (manfiestação artística urbana, como qualquer outra), rotulando as duas como sendo a mesma coisa.

Outrossim, seria ingênuo não destacar a negligência do poder público como um problema  nesse contexto. Isso acontece devido aos baixos investimentos dos estados e munícipios nos artistas de rua. Aliás, como exemplo disso, tem-se o caso da Avenida 23 de Maio, na capital paulista - onde se situava o maior mural de arte urbana a céu aberto de toda a América Latina -, que, em 2017, o governo estadual em uma operação limpeza, apagou a maioria dos desenhos que estavam nos prédios hà anos e fomentavam o turismo na região, ao invés de pagar os artistas para realizarem uma revitalização das obras. Tal negligência dificulta o desenvolvimento do setor em todo o território brasileiro.

Fica clara, portanto, a necessidade de maior atuação do Estado no que diz respeito à arte urbana no país. Para tanto, cabe ao Ministério da Cultura e Cidadania, em parceria com os artistas de rua de todo o Brasil, a criação de museus de exposição desse tipo de arte em todas as maiores cidades da União, a fim de aumentar a visibilidade dos artistas e estimular o turismo. Ademais, as grandes mídias precisam divulgar propagandas educativas que demonstrem a importância de se ter uma produção artística nacional para a criação de uma identidade cultural mais fiel à realidade do país. Assim, será possível viver em um país que preza pela sua produção artística.