Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

Ao ouvir a palavra arte, a grande maioria dos brasileiros a associa às grandes esculturas do período clássico ou às pinturas de valor inestimável do renascimento, como Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, ambos os pensamentos voltados à cultura europeia. A última coisa a ser pensada é na arte de rua, ou urbana, que para muitos nem é considerada um tipo de manifestação artística. A partir desse contexto, é fundamental discutir a cerca da marginalização e a falta de incentivo à arte urbana brasileira.

De início, é importante salientar que a arte urbana é marginalizada aos olhos do povo brasileiro. Isso porque, segundo o grafiteiro brasileiro Kobra, que tem seu trabalho exposto nas ruas de mais de 15 países, o preconceito contra a arte urbana está muito relacionado à ignorância. Grande exemplo disso, é que no começo de 2017, a justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra dois homens acusados de torturarem três grafiteiros no centro da capital fluminense. É certo dizer que esse pensamento é um equívoco, já que essa arte tem o papel fundamental de levar vida e inspiração as pessoas que não têm poder financeiro para ir a exposições de museus, cinemas ou galerias democratizando o acesso a vida artística.

No que diz respeito a desvalorização da arte de rua, vale ressaltar falta de incentivo e investimento para a mesma, advindas do próprio governo brasileiro. Isso acontece, pois muitos estados ainda não reconhecem essas manifestações como artísticas e não vêm nenhuma relevância para suas áreas. Exemplo disso foi o episódio ocorrido na cidade de São Paulo, em 2017, onde o considerado “maior mural de grafite a céu aberto da América Latina” foi encoberto por uma tinta cinza, sob orientações do prefeito da época, João Dória. O que não é verdade visto que a arte urbana exerce o papel artístico de conceito, estilo, filosofia e criticidade, como escritor irlandês Oscar Wilde citou: “a arte toma a vida como parte de sua matéria-prima e a recria e remodela”.

Nota-se, portanto, que é crucial associar a valorização das manifestações artísticas urbanas com a quebra do preconceito social e político sobre elas. Para isso, faz-se necessária a atuação dos poderes legislativos, estaduais e federais, juntamente com o Ministério da Cultura, para implementar leis de incentivo e investimento às artes urbanas, que garantam áreas próprias de exposição para os trabalhos de artistas urbanos menos conhecidos e opoio financeiro na fase inicial da vida profissional dos mesmos. Dessa forma, serão vistas cada vez mais áreas urbanas coloridas e vividas com suas diversas formas de artes.