Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/02/2021

No ano de 1968, uma das primeiras pichações brasileiras era representada pela frase “abaixo a ditadura”, como forma de contestação ao regime da época. Tal manifestação evidencia uma grande característica da Arte Urbana: a capacidade de protesto e de garantir voz à população. Contudo, hodiernamente, desafios são enfrentados para valorizar essa forma de expressão, necessitando de alterações nesse cenário.

A priori, o preconceito em torno da Arte Urbana configura-se como um empecilho a ser superado. Em 2017, o prefeito de São Paulo, João Dória, deu início ao projeto “Cidade Linda”, que consistia no reparo de calçadas e muros “danificados” pela arte de rua, iniciando a “maré cinza”, devido à cor utilizada no processo. Tal ação reflete a tentativa de silenciamento de, principalmente, grupos periféricos da cidade, por estarem mais envolvidos nas criações, revelando uma postura de hostilidade para com os subúrbios e visando impedir o caráter protestante da maioria das obras.

Ademais, a ausência de aulas, nas escolas brasileiras, sobre a Arte Urbana e sua importância social agrava ainda mais o processo de valorização dessa manifestação. Consoante ao filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu conhecimento de mundo. Assim, a carência de informações, entre jovens, acerca do caráter comunicativo e embelezador da arte de rua, promove a intolerância já presente em gerações anteriores, dificultando a aceitação e ao entendimento da necessidade das composições.

É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esses entraves. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação realizar alterações na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por meio da adição do histórico da Arte Urbana brasileira e do seu valor para a construção da identidade local. Tal ação será realizada a fim de alterar a mentalidade preconceituosa e conservadora vinda de gerações, objetivando o aumento dos limites do campo de visão dos contemporâneos, bem como citou Schopenhauer.