Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Em novembro de 2020 o Beco do Batman, um dos famosos pontos turísticos de São Paulo, conhecido por seus muros coloridos que atraem pessoas de todo o mundo, teve suas paredes pintadas de preto, em protesto a um caso de violência policial ocorrido no mês. A ação ocasionou diversos debates sobre o papel da arte urbana e sua importância política e crítica acerca da realidade hoje vivida no Brasil. Enquanto muitos apoiaram o movimento dos artistas envolvidos, outros criticaram, pois lamentavam a perda dos grafites coloridos que antes estavam ali. De fato existe um estigma envolvido com a valorização da arte urbana no país.
Embora façam décadas de seu surgimento, muitas pessoas ainda possuem uma visão marginalizada em relação a arte urbana. Para muitos, somente a arte clássica ou aquela que mais se assemelha a ela é válida, enquanto o grafite é visto como vandalismo, mesmo que tenha sido descriminalizado há anos. O preconceito com esse estilo artístico ainda é grande e pouco discutido, de maneira que ainda é um tabu na sociedade. Surgido em periferias, a concepção de algo “pobre” ou “sujo” é comum, e se alastra como um pensamento popular. Esse gênero ainda não é amplamente discutido nas redes de ensino, de maneira que a população não cresce aprendendo a respeito dele, e isso ocasiona sua crescente exclusão entre as demais artes aclamadas atualmente.
Ainda, os artistas desse estilo enfrentam um grande desafio: a falta de estímulo, apoio e visibilidade em sua modalidade. A maioria recebe pouco retorno e precisa enfrentar sozinha todos os preconceitos e tentar ao máximo serem vistos pelo trabalho de produzem. No Brasil, ainda há uma longa caminhada pela valorização dessa manifestação artística. São poucas as políticas de incentivo e isso faz com que sejam perdidos muitos grandes potenciais na área. Mesmo que seja comum vê-las nas grandes cidades, a arte urbana ainda é rara nos interiores dos estados, o que desestimula aqueles que vivem longe das metrópolis de continuarem a produzir os “street arts”. Nessas cidades, o apoio ao artista urbano é ainda menor.
Com isso é necessário que esse estilo artístico seja incluído como um coteúdo obrigatório nas escolas, para que dessa maneira que seja ensinado, diminuindo o preconceito causado pela desinformação e assim possa ser mais valorizado ao longo dos anos. Além disso, é fundamental que sejam criadas políticas de apoio nos estados brasileiros para que aqueles que desejam praticar a arte urbana sejam encorajados a desenvolver-se e pratica-la.