Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 28/02/2021

O pensador Antonio Candido associa à arte o poder de humanizar e formar caráter ao atuar no subconsciente e inconsciente do indivíduo. Essa concepção evidencia a importância das manifestações artísticas para a formação do ser. Entretanto, na realidade brasileira, ainda é possível perceber a falta de valorização da arte urbana, o que serve de entrave para a realização concreta do poder transformador evidenciado pelo estudioso. Desse modo, percebe-se a existência de um grave problema, o qual possui como principais desafios a educação ineficiente e a segregação social.

Primeiramente, é importante destacar a deficiência no processo educacional como um dos principais desafios para a valorização da arte urbana no país. Nesse sentido, segundo Paulo Freire, a educação deve abdicar do “caráter bancário” e passar a ser libertadora, isto é, deve-se adotar o processo educativo como alicerce para mudanças sociais e não apenas como um banco de informações técnicas. Sob essa ótica, a difusão do conhecimento sobre a importância da manifestação artística urbana adquire maior proporção e começa a ser interiorizado pelo indíviduo desde a infância. Isso faz surgir uma comunidade dotada de aprendizados libertadores e em posição favorável à urbanografia. Com isso, é perceptível a relação entre o poder educativo e o reconhecimento dessa forma artística.

Paralelo a isso, vale também ressaltar as barreiras sociais e econômicas como um dos principais obstáculos na “luta” contra a desvalorização da arte urbana no Brasil. Nessa perspectiva, conforme defendido pelo historiador Sérgio Buarque de Hollanda, no livro “Raízes do Brasil”, a segregação socioespacial é uma característica da sociedade brasileira. Essa caracterização serve como impedimento para a valorização da urbanografia, uma vez que essa manifestação é expressada nos ambientes públicos e evidencia, especialmente, a realidade das grandes massas. Isso faz com que grupos dotados de melhores condições financeiras, por não se sentirem representados, passem a adotar uma postura contrária a essa forma de expressão. Assim, fica claro que as desigualdades socioeconômicas funcionam como entraves para a concretização do reconhecimento da arte urbana.

Portanto, é necessário solucionar a questão da desvalorização da expresão artística urbana no país. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação(MEC) agir em favor dessa manifestação, por meio da implementação de matérias, na Base Nacional Comum Curricular, de matérias que ensinem a importância e o poder transformador da urbanografia, com o intuito de garantir maior aceitação. Além disso, o MEC deve exercer papel conscientizador, com a apresentação de campanhas nos veículos de comunicação, como internet e televisão, que visem estimular uma maior apreciação dessa arte por parte do público. Dessa forma, torna-se possível, de fato, realizar o poder humanizador da arte.