Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Define-se arte como a forma de expressão de determinado indivíduo ou sociedade, baseada nas suas subjetividades e na sua visão de mundo. No entanto, algumas expressões artísticas, como as pinturas e esculturas clássicas, são mais bem quistas em detrimento da arte contemporânea e de rua, por exemplo. Tal diferença de tratamento impede que seja dado o devido valor a arte produzida pela população em geral, a qual não necessariamente tem formação acadêmica na área artística. A partir desse contexto, é válido discutir quais são os principais desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, bem como medidas para a resolução desse problema.
É importante, de início, entender que um dos desafios para a valorização da arte urbana é o preconceito enraizado e institucionalizado na sociedade brasileira. Segundo o grafiteiro Eduardo Kobra, que tem trabalhos expostos pelas ruas de mais de 15 países e está na profissão há 28 anos, a aversão à arte urbana no Brasil vem do preconceito com as pessoas que a produzem, as quais, em sua maioria, são oriundas de comunidades e favelas. A partir disso, construiu-se a imagem de que o mural e o grafite são “coisas de vagabundo” e, por isso, vários artistas são detidos com a justificativa de ser vandalismo resultando, então, em uma das formas de desvalorizar a arte de rua.
Por outro lado, tem-se a migração dos artistas como outro grande empecilho a valorização da arte urbana no país. De acordo com a Associação de Grafiteiros de Goiás (AGG), muitos artistas só conseguem visibilidade e enaltecimento quando saem do Brasil, uma vez que, no exterior, sua arte é realmente vista e tratada como tal. Como resultado dessa evasão, o brasileiro não tem tanto acesso e, consequentemente, não consome a arte de rua. Além disso, por ter um caráter de protesto, a arte urbana é, muitas vezes, desencorajada pelos governantes como uma tentativa de calar possíveis críticas à administração pública gerando, assim, um ciclo de desconhecimento e desvalorização.
Fica clara, portanto, a necessidade de medidas que solucionem os desafios para a valorização da arte urbana no país. Por isso, o Ministério da Educação, por gerir a matriz curricular brasileira, deve promover a abordagem da arte urbana nas aulas de educação artística nas escolas. Tal medida se dará por meio da discussão em sala do que é e qual a importância da arte urbana na construção da identidade brasileira visando, desse modo, incentivar a sua valorização desde a infância. Por outro lado, o Ministério da Cidadania, deve criar a “Semana da Arte Urbana”, na qual será feito um concurso de murais e grafites para serem expostos pelas principais capitais do país, como forma de incentivar e dar visibilidade aos artistas brasileiros no seu próprio país. Assim, a arte urbana será, finalmente, valorizada no Brasil.