Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948 garante a todo cidadão o direito de acesso à arte e a liberdade de expressão por meio dela. Dessa forma, a arte tem como função a manifestação de percepções e pensamentos, utilizando para tal a música, dança ou pintura. Todavia, a arte urbana enfrenta desafios para ser valorizada e tal fato decorre tanto do preconceito por vir de camadas marginalizadas, quanto da visão predominante de que deve mostrar apenas a beleza.
A priori, o processo de formação das sociedades atuais é baseado no colonialismo, o qual tem como característica a desigualdade socioeconômica e a visão de que algo possui valor se estiver nos padrões europeus. Nessa lógica, segundo a escritora brasileira Marilene Chauí, a cultura direciona a conduta de cada um, sendo o homem reflexo do ambiente. Assim, o que se observa é a discriminação da arte urbana advém do senso comum de que populações mais pobres não são capazes de produzir e consumir arte, uma vez que o sujeito foi ensinado culturalmente que a arte possui valor quando originada na elite. Tal fato é exemplificado quando se observa o início do gênero musical “hip-hop”, o qual foi duramente estereotipado por ser produzido por comunidades negras e latinas.
Em segunda análise, a arte surgiu desde o homem primitivo, o qual realizava pinturas rupestres como forma de expressão tanto para os deuses, quanto para registrar cotidiano da caça e pesca. Assim, desde então, as manifestações artísticas tiveram funções atribuídas e, uma delas é a capacidade de representar o ideal do belo. Nessa lógica, de acordo com o sociólogo Antônio Candido, além da arte funcionar como fuga da realidade, ela também possui função de humanizar e formar caráter por meio de denúncias. Logo, a arte urbana é um meio de protestar sobre desigualdades e a luta das minorias sociais, tendo como objetivo a reflexão popular, porém é vista tanto como passatempo de pessoas desocupadas, quanto como vandalismo por não mostrar a beleza da vida.
Em vista disso, para que os desafios para valorização da arte urbana sejam reduzidos, cabe ao Ministério da Educação realizar projetos nas escolas de educação artística, para alunos desde o fundamental, mostrando a pluralidade da arte e como deve ser respeitada por tratar de público e épocas distintas, a fim de minimizar nos mais novos o preconceito advindo das gerações anteriores e retirar o pensamento da arte elitista. Somado a isso, Organizações não Governamentais (ONGs) que trabalham apoiando a arte urbana devem disseminar nas ruas e comunidades o objetivo que se quer alcançar denunciando algo pela arte, visando a explicação da importância que ela tem nas lutas por igualdade, para que assim a sociedade goze plenamente de toda arte como previsto na DUDH.