Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 28/02/2021

“Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela mesma não saiba”. Nesses versos entoados por Oswaldo Montenegro, o autor enfatiza importantes aspectos da arte: denunciar a realidade e despertar o senso crítico. Todavia, nos dias atuais, essas funções têm sido comprometidas, já que a arte urbana vem sendo desvalorizada devido à atribuição de estereótipos e à negligência do poder público. Nessa perspectiva, é essencial analisar essa questão no Brasil.

De antemão, ressalta-se que apesar de existir uma lei que legaliza a arte de rua, a população continua a ter uma visão limitada dessa manifestação artística, a associando ao vandalismo. Isso porque, existem valores fixados na sociedade que refletem a ideia de que esse tipo de expressão é uma forma de rebeldia ou de desrespeito.Essa situação pode ser explicada pelo filosófo Friedrich Nietzsche, pois segundo seus estudos, o pouco acesso a informação permite que as pessoas tenham uma interpretação padronizada da realidade.

Também, pontua-se que o poder público se mostra negligente diante da depreciação da  arte de rua.Isso ocorre, porque o governo não tem dado assistência para os artistas de rua,já que faltam disponibilizar áreas para que eles  possam  pintar murais e grafitar, o que prejudica o embelezamento das cidades e impede a disseminação dessas expressões.Desse modo, observa-se uma ruptura no contrato social teorizado pelo filosófo John Locke, visto que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda população.

Portanto, ressalva-se que é imprescendível achar caminhos para combater a desvalorização da arte urbana. Logo, é preciso discutir o tema e ampliar o acesso a informação, através de campanhas midiáticas com a finalidade de desconstruir os esteriótipos ligados a essa manifestação artística.Ademais, é fundamental exigir do poder público áreas livres para que os artistas consigam se expressar e espalhar sua arte.Permitindo, desta forma, que a arte cumpra seu papel como na canção de Oswaldo Montenegro.