Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/02/2021
Na Grécia Antiga havia a ideia de arte como forma de educar a população. Entretanto, atualmente, além da “arte pela arte”, há o conceito de posicionamento crítico do autor para com a realidade. Tal perspectiva está na arte urbana, entretanto, ainda há desafios na valorização desse meio, dentre os quais incluem a falta de inserção da população em meios artísticos e da perspectiva elitista de determinados grupos.
É imprescindível, primeiramente, destacar a exclusão de grande parte da população, sobretudo de regiões periféricas, no mundo das artes. Essa perspectiva está presente nos métodos tradicionais de ensino, os quais tendem a desvalorizar a produção artística. Dessa maneira, há uma construção social desde a infância que desestimula a presença da arte na vida de uma parcela da sociedade. Assim, tem-se a negação dos direitos sociais, incluindo o acesso à cultura, garantidos na Constituição Federal de 1988.
Em segundo plano, há uma noção de formular juízos de valor para as produções artísticas, criando a ideia de que determinadas formas de expressão são “cultas” e outras não. Entretanto, tal pensamento a cerca da arte, principalmente do grafite, é ultrapassada e representa um retrocesso no corpo social como um todo, visto que não somente exclui uma parcela da sociedade na construção cultural, mas também elimina a possibilidade de tal grupo denunciar a realidade de seu cotidiano.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver essa problemática. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Cultura garantir o acesso à arte aos grupos marginalizados. Tal ação deve ser feita por meio de visitas ao cinemas e museus a fim de gerar oportunidades de inclusão social. Além disso, é dever dos centros de ensino romper preconceitos a respeito da arte urbana. Isso pode ser alcançado por palestras com especialistas no tema, incluindo artistas da periferia, com o objetivo de gerar uma maior valorização da produção cultural nacional.