Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 26/02/2021

O pintor Edvard Munch, no quadro “O Grito”(1893), mostra dois personagens, ao fundo da tela, que se revelam negligentes à aflição da figura humana no plano central. Contudo, a ausência de empatia não se limita apenas à arte expressionista, já que a arte urbana no Brasil vive algo semelhante. Nesse prisma, vale analisar essa questão.

De início, verifica-se que o Estado tem se mostrado negligente ao não combater os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Isso porque existe uma falha no processo de assistência, uma vez que falta oferecer um maior reconhecimento aos artistas urbanos, o que prejudica a valorização e a realização daquilo que serve como uma forma máxima de expressão do que está sendo sentido por quem executa a arte. Dessa forma, nota-se que o Poder Público não tem garantido o bem-estar de toda a comunidade, o que configura uma ruptura no contrato social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes.

Ainda, evidencia-se que aceitar a desvalorização da arte urbana no Brasil é banalizar o mal. Porém, uma parte da sociedade tem demonstrado certa apatia diante da fiscalização das leis, tendo em vista que existe uma legislação em vigor (706/07) que foi aprovada no ano de 2009 pelo governo brasileiro, que descriminaliza a arte de rua, comprometendo, assim, a continuidade dessa expressão artística. Recorrendo às reflexões da filósofa Hannah Arednt para explanar esse fato, constata-se que, em virtude de uma massificação social, as pessoas vêm perdendo a capacidade de discernir, moralmente, o certo do errado.

Convém, portanto, ressaltar que os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil devem ser ser superados. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante audiências públicas, uma assistência adequada aos profissionais da arte, a fim de proporcionar um maior reconhecimento a estes. Além disso, a sociedade reivindicar pela correta aplicação das leis existentes que favorecem a arte urbana, com o objetivo de não permitir a restrição do movimento artístico. Dessa forma, a falta de empatia se limitaria apenas à obra do pintor Edvard Munch.