Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/02/2021

Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza", cantava Marisa Monte, cantora de musica popular brasileira na década de 1990 em protesto contra a ação do prefeito João Dória, do Rio de Janeiro, que mandou pintarem de cinza as pilastras onde o artista urbano conhecido como Profeta Gentileza escrevia seus versos. Esse acontecimento demonstra uma das dificuldades para a valorização da arte urbana no Brasil, sendo essas: o preconceito com o seu carater não elitista e a falta de locais públicos dedicados a essa forma de expressão.

Inicialmente, vale lembrar da década de 1970 no Brasil, durante a ditadur a militar, quando uma das formas de protesto era a pixação de frases de resistência em locais públicos. Essa forma de resistência era legalmente vista como vândalização até março de 2009 quando a lei 706/07, que descriminaliza a arte urbana no Brasil foi aprovada. Mesmo assim as artes de rua continuam sendo vistas com maus olhos principalmente pelo seu carater não elitista.

Além disso, muitas vezes obras são apagadas como aconteceu com as do Profeta Gentileza no Rio de Janeiro e mais recentemente com a pintura “Genial é andar de bike” do artista Kobra em São Paulo que teve seu mural apagado sem aviso prévio. Apesar do carater efêmero da arte urbana, a falta de lugares onde elas possam ser expostas de forma mais regular demonstra o descaso do governo com a cultura nacional.

Portanto, em cada cidade deve ser estabelecido locais públicos pela prefeitura de cada cidade para a elaboração das obras de arte com tempo definido para ser transformada ou refeita por outro artista para que eles tenham mais visibilidade. No local destinado a isso das cidades mais populosas seriam organizados pela Secretaria da Cultura eventos anuais de exposição de arte urbana com palestras oficinas com o objetivo de conscientizar quanto a importância da expressão artística de rua como cultura de um determinado grupo social.