Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/02/2021
Em 2020, o artista urbano Flip (Felipe Yung) trouxe a fauna aquática amazônica para as ruas do Centro de São Paulo. A valorização do meio-ambiente brasileiro foi realizada em grafite, uma forma de arte que apesar de estimular fortemente a criatividade, embelezar as cidades e fortalecer a cultura nacional, é desprezada pelo elitismo. Dessa maneira, há dois principais desafios que a arte urbana enfrenta: o conformismo da sociedade e a discriminação contra classes menos favorecidas.
Primeiramente, é interessante notar que as obras de arte com frequência buscam questionar convenções. No século XX o Modernismo trouxe muita indignação às elites burguesas pelo desprezo que os pintores, escritores e cantores demonstraram contra eles, a despeito de sua contribuição financeira para o mundo cultural. Além disso, as obras dessa corrente literária intencionavam quebrar todos os padrões estabelecidos previamente para a produção artística, se libertando de métrica, rimas, exatidão. Da mesma maneira age o grafite nos dias atuais, e consequentemente também a arte urbana, pois ela é uma ramificação deste. A intenção de pessoas como Felipe Yung é justamente provocar a sociedade e fazê-la questionar suas próprias regras, o que pode ser extremamente desconcertante e desconfortável como provam os burgueses do século XX, constituindo o primeiro desafio.
Adicionalmente, o segundo contempla a questão econômica. Como explicam os movimentos de Street Art (“arte das ruas”, em tradução literal), o grafite e suas subvertentes são muitas vezes uma maneira de gangues urbanas se comunicarem. Isto é tão verídico que cada desenhista tem sua própria assinatura, identificável em qualquer lugar. Ademais, esta forma de se expressar constitui uma das características do Hip Hop, subcultura originada em uma área marginalizada de Nova York, nos Estados Unidos. Assim sendo, é uma técnica que enfrenta muita discriminação pelo elitismo ainda presente no mundo artístico, pois este preconceito se encontra fortalecido nas bases capitalistas e racistas da sociedade. Conforme demonstra o samba brasileiro, não é surpreendente que o que for produzido por culturas marginalizadas deste país seja também empurrado para as margens.
Em conclusão, tem-se que as instituições educacionais do Brasil precisam conscientizar as pessoas sobre o papel transformador da arte. Por meio da realização de palestras e exposições literárias, musicais ou plásticas as escolas podem mostrar aos alunos os movimentos de contracultura e sua importância, a fim de que eles possam desenvolver criticismo e mente aberta. Além disso, os governos Estaduais devem permitir a realização de arte urbana em todos os ambientes sociais, independente de classe. Isso pode ser feito por intermédio da realização de um projeto que vise decorar as ruas com grafite, como o levantado por Felipe Yung, a fim de que os preconceitos de classe possam ser minados.