Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Durante a Ditadura Militar, vivida no Brasil entre 1964 e 1985, o setor artístico foi um dos mais afetados pela máquina repressora do Estado. Como é sabido, durante esse período não se podia manifestar qualquer tipo de conteúdo que criticasse o governo vigente, pois era quase uma certeza que a obra seria censurada e o artista duramente punido pela “rebeldia”. Felizmente, esse período sombrio da história brasileira acabou; entretanto, a falta de valorização na arte urbana em terrítorio nacional é uma realidade que carece ser debatida. Tal cenário é favorecido pelo desinteresse da população por esse tipo de arte e pela falta de investimento público no setor.
A princípio, é fundamental destacar o desinteresse da população pela arte como um obstáculo à sua valorização plena. Para o filósofo contemporâneo, Arthur Schopenhauer, na obra “O Mundo como Vontade e Representação”, a arte é uma das únicas formas genuínas de amenizar os sofrimentos humanos e sentir prazer pela vida. Todavia, além de mais de 71% da população - segundo o G1- nunca ter tido contato com uma exposição artística, ainda paira a ideia de que a arte urbana, principalmente o grafite, é uma manifestação destrutiva e marginal, que visa apenas depredar patrimonios. Tal concepção é falsa, pois existe uma grande diferença entre pichação (intervenção normalmente agressiva ) e grafite (manifestação artística urbana, como qualquer outra).
Ademais, a falta de investimento público nesse setor favorece o cenário de desvalorização do mesmo.
É interessante enfatizar que a Avenida 23 de Maio, na capital paulista, tinha o maior mural de arte urbana à céu aberto de toda a América Latina. No entanto, em 2017, o gorverno do estado, para economizar dinheiro e não pagar novamente os artistas que criaram o mural para realizarem uma nova revitalização, optou por uma operação de “limpeza” dos prédios pintados, destruindo diversos desenhos que ali estavam. Tal atitude é incredível e vergonhosa, pois deixa claro que a atual gestão não valoriza sua proudução artística e nem seus artistas.
Depreende-se, portanto, a necessidade de maior atuação do Estado no que diz respeito à arte urbana no país. Para tanto, cabe ao Ministério da Cultura e Cidadania, em parceria com os artistas de rua de todo o Brasil, a criação de museus de exposição desse tipo de arte em todas as maiores cidades da União. Além disso, deve-se investir nas grandes mídias a fim de propagar informações educativas sobre as diversas manifestações artísticas urbanas existentes no Brasil. Essas ações faverecerão tanto o setor cultural brasileiro, quanto a criação de uma identidade nacional mais verdadeira. Dessa forma, será possível viver em um país que preza pela sua produção artística.