Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 26/02/2021

A arte urbana, em sua concepção moderna, surgiu como uma forma de protesto político e social. Analogamente, no Brasil, esse tipo de arte aflorou- junto com as repressões e censuras causadas pela Ditadura Militar- como forma de transmitir a mensagem de insatisfação do povo. O grande impasse disso é que a “street art” ainda é vista como delinquência, o que dificulta a valorização desse modo artístico e o desabono por parte dos governos estaduais.

Primeiramente, a ideia principal da Arte Urbana é migrar dos lugares habituais, destinados à exposição artísticas como teatros, cinemas e museus, e expandir para locais de visibilidade da arte cotidiana, espalhada pelas ruas. Diante disso, muitas das manifestações de rua surgiram como alternativas de comunicação, denúncia e até mesmo como fonte de renda para pessoas marginalizadas. Entretanto, o preconceito com esse tipo de arte ainda atrapalha o reconhecimento desses artistas, visto que, por exemplo, São Paulo, a capital da arte de rua, uma operação de limpeza cobriu de tinta cinza os muros da Avenida 23 de Maio, ícones do grafite, o maior mural a céu aberto da América Latina, com quase cinco quilômetros e meio de extensão. Agora não fazem mais parte da paisagem, na guerra da prefeitura contra o vandalismo e a pichação, infelizmente, sobrou para a arte de rua.

Outrossim, é válido relembrar as palavras de Fernando Pessoa, o qual dizia: “A arte é a autoexpressão lutando para ser absoluta”. Dessa forma, a arte urbana se enquadra como forma de expressão pessoal e abordam temáticas de relevância social diversas como cidadania e respeito, sendo uma importante ferramenta de inclusão social. Ademais, com intervenções que transformam muros, fachadas e espaços públicos em grandes painéis de arte e contestação ao ar livre, a expressão cultural cativa seu público com uma linguagem totalmente interpretativa do que se espera de um mundo melhor pela ótica do artista, o que contribui para o turismo na região. No entanto, apesar disso, os artistas de rua encontram dificuldades para terem suas obras aceitas como arte e conquistar o reconhecimento do governo, o que corrobora a carência de investimentos e a falta de locais para se expressar artisticamente.

Portanto, é notório os benefícios que a arte de rua trás para as cidades e os empecilhos para sua apreciação. Logo, é indispensável o comprometimento da Secretaria da Cultura, juntamente com os Governos estaduais. Então, devem criar Políticas de Valorização do Grafite e da Arte de rua. Por meio da efetivação da Constituição de 1988, que assegura a licença à livre expressão artística e da execução do- Art. 215- o qual determina que, o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. Desse modo, proporcionando o enaltecimento da arte de rua e dos artistas.