Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/02/2021

A arte, segundo o filósofo Nietzsche, expressa transparentemente a vida e é um processo de criação e recriação sem finalidade. Contudo, infelizmente, a sociedade brasileira não dá o devido reconhecimento para essa atividade. Então, não só a herança histórica, como também o reduzido investimento governamental são obstáculos para uma apropriada valorização da expressão artística urbana no Brasil.

Em primeiro plano, é imprescindível parlamentar acerca da herança histórica. Desde os primórdios da sociedade brasileira, a arte foi marcada pela representação da elite e da nossa natureza. Contudo, desde o século passado, os artistas começaram a representar os pobres, a desigualdade, as minorias e isso incomoda certa parcela da população mais conservadora. Prova disso, é o caso da pintura de uma mulher negra na parede lateral de um edifício em Belo Horizonte em que um morador entrou com um processo na justiça para a obra ser apagada.

Em segundo plano, é fundamental analisar o insuficiente investimento do Estado em obras artísticas urbanas. Apesar do senso comum dizer que investimento em arte é desperdício de dinheiro, essa atividade movimenta a economia pois gera empregos e novos pontos turísticos para a cidade. Prova disso é o “Beco do Batman”, em São Paulo, além de ser uma belíssima obra que instiga turistas a ir visitar, movimenta diversos estabelecimento comerciais ao seu redor.

Diante do exposto, portanto, fica evidente a importância de uma maior valorização da arte urbana no Brasil. Sendo assim, a Secretaria de Cultura deve elaborar projetos com parceiras público-privadas para financiamento de obras artísticas pelas cidades brasileiras. Ademais, cabe as prefeituras organizarem eventos de arte para movimentar a cidade em locais importantes e uma divulgar os artistas e suas obras. Assim, de fato, a arte será valorizada cumprirá seu papel social imprescindível na sociedade.