Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Já dizia Friedrich Nietzsche, filósofo influente na área das artes, “Temos a arte para não morrer de verdade”, se ela é tão vital para a sociedade porque algumas de suas vertentes não são valorizadas e preservadas como deveriam ? O poder público insiste em fechar os olhos e até censurar o muralismo brasileiro, como quando João Doria, prefeito de São Paulo apagou muitos dos grafites da cidade em 2017, ignorando a importância social e artística do muralismo brasileiro, iniciado no período ditatorial como forma de protesto, uma das causas do preconceito sofrido, visto que muitos conservadores o interpretam como “vandalismo” por sua origem “rebelde”, apenas um de tantos desafios para a sua valorização.
Uma grande parte dos grafites e pichações vêm da periferia, um público obrigado a lidar constantemente com intolerâncias, que por sua vez são redirecionadas para a sua arte. A existência de uma lei que considera crime pichar e/ou grafitar edificações ou monumentos urbanos é vista por muitos como uma forma incorreta de lidar com a situação, já que muitas vezes a discussão e aprendizado em âmbito escolar sobre esta modalidade artística é inexistente.
No período renascentista houve o surgimento de uma arte extremamente perfeccionista e de elite, estilo ainda hoje considerado o mais dotado de importância e destaque pelo senso comum, fator que serviço para uma elite o investimento novas artes do século XXI como algo insignificamnte. O beco do batman em São Paulo, centro de avaliação da arte urbana brasileira, é o segundo lugar mais procurado por turistas estrangeiros no estado, perdendo apenas para o parque Ibirapuera.
Um potencial turístico como o das ruas de São Paulo, já muito conhecidas por suas cores vibrantes é quase que totalmente desprovido de valorização e reformas em áreas como o beco do batman para propiciar um melhor acolhimento do público e maior propaganda internacional.
Com o objetico de maior valorização das artes urbanas é necessário quebrar preconceitos e levar o conhecimento e histórico social desta arte para todas as classes sociais, por meio de debates e explosições do tema em sala de aula além da elaboração de oficinas pelo Ministério da Cidadania, todavia nada disso será realmente efetivo sem uma revisão da lei que criminaliza a arte urbana.