Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 09/10/2021

A Constituição Federal (1988) assegura, no artigo 6, os direitos a sociedade sendo um deles a assistência aos desamparados. No entanto, essa não é uma realidade observada em território brasileiro visto que no Brasil cerca de 4 milhões de meninas não tem acesso a itens básicos de cuidados menstruais segundo dados divulgados pela CNN Brrasil. Em virtude disso, medidas são necessárias para mitigar os entraves existentes. Ademais, o descaso governamental e a falta de mobilização social são agravantes da situação.

Em primeiro plano, é preciso destacar o descaso governamental como óbice nessa problemática. Segundo o filósofo Èmile Durkheim “a sociedae pode ser comparada a  um corpo biológico, no qual se um órgão não opera  de maneira adequada, toda a comunidade entra em desequilíbrio e  desordem”. Nessa perspectiva, é evidente que o  estado é o corpo biológico que não opera de forma adequada para que à pobreza menstrual no Brasil  saía da desordem e entre em equilíbrio na comunidade. Como resultado, uma notícia publicada pelo site Agência Senado revela que uma entre quatro estudantes ja deixaram de ir à escola por não ter absorventes, sendo privadas de educação durante o período mestrual.

Em segundo plano, a falta de mobilização social é outro agravante da situação. A filósofa Hannah Arendt criou o conceito “Responsabilidade Coletiva”, em que todos os titulares são responsáveis pelo que o Estado faz ou não em seu nome. Nessa lógica, se o tecido social está estabilizado diante dos problemas socioculturais, a naturalização desse desafio é inevitável. Depreende-se, dessa maneira, que não depende apenas de ações governamentais, mas também da população fazer com que a pobreza menstrual seja de responsabilidade coletiva como proposto pela filósofa.

A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de certos agentes. Portanto, o Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação devem criar um projeto para realizar a distribuição gratuita  de absorventes nas escolas para evitar que meninas sejam privadas de ir a escola durante o período menstrual. Além disso, o Ministério da Saúde deve criar um projeto que oferte gratuitamente absorventes em postos de saúde para mulheres que vivem em pobreza menstrual. Só assim,  será possível criar uma comunidade livre da falta de equilíbrio e desordem como disse o filósofo Èmile Durkheim.