Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 07/10/2021

Manoel de Barros, grande pós-modernista brasileiro, criou em suas obras uma “teologia de traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a questão do combate à pobreza menstrual no Brasil, ainda que esse seja um grande desafio para a sociedade, visto que seus principais causadores são a desigualdade social e a negligência governamental.

De início, é notório destacar que a desigualdade social é uma das causas desse problema. Nessa ótica, constata-se que por serem desprovidos de uma condição financeira adequada, muitas pessoas acabam não conseguindo comprar itens básicos para o período menstrual como absorvente, coletor menstrual e protetor diário. Diante disso, por não terem o que usar, muitas meninas são obrigadas diante dessa situação, a escolherem outros meios para conseguir sobreviver a esse período. Sob isso, a cantora Simaria da dupla “Simone e Simaria” em uma entrevista para o programa “Caldeirão do Huck” disse que na sua infância, por não possuir dinheiro para comprar absorvente, ela precisava usar folhas de bananeira, para que assim pudesse ir à escola. Desse modo, percebe-se que, infelizmente, por uma desigualdade social que permeia o Brasil, muitas mulheres e meninas assim como Simaria, precisam adquirir outros meios não higiênicos para passar pelo período menstrual, já que por não terem condições sociais adequadas, não podem comprar absorventes para se ajudarem.

De modo complementar, a negligência governamental acentua a questão. Nesse sentido, pode-se observar que os desafios no combate à questão da pobreza menstrual, é fruto, também, da má gestão do sistema político brasileiro, visto que, ao invés de investir em um programa de ajuda a pessoas de baixa renda, com a doação de absorventes para mulheres e meninas que não tem condição de comprar, o governo influencia na consolidação do problema, não tratando o assunto com a seriedade necessária. A partir disso, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, no entanto, isso não ocorre no país. Dessa forma, é inaceitável que o governo - maior órgão administrativo do país - continue deixando que tal situação se perdure no Brasil.

Diante dos fatos mencionados anteriormente, torna-se urgente a atuação de órgãos necessários para reverter essa situação. Logo, faz-se fundamental que o Estado crie um programa de ajuda às mulheres em período menstrual, doando absorventes e coletores menstruais à jovens e adultas de baixa renda todo mês, com a ajuda de marcas de absorvente como a “Intimus” - maior do país -. Somente assim, será permitido que aconteça uma diminuição à pobreza menstrual no Brasil.