Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/10/2021

A obra literária de Stephen King, “Carrie, a estranha”, retrata o cotidiano de uma adolescente chamada Carrie, que sofre bullying e é constantemente julgada pelos colegas de classe. Além de abordar um tema de extrema relevância, o exemplar trás a temática da pobreza menstrual em um de seus capítulos, quando a garota pensa que irá morrer quando menstrua pela primeira vez. Tal tema abrange grande parte da população brasileira, porém, por ser pouco conhecido (e discutido) e ter a escassez de preocupação governamental, se torna uma temática esquecida e, muitas vezes, deixada de lado.

Preliminarmente, é essencial que a população tenha alcance a informações concretas e verídicas. Entretanto, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 45% dos brasileiros, acima dos 25 anos, não concluíram o ensino fundamental. Posto isso, fica evidente que grande parte da sociedade brasileira desconhece a real situação que milhões de mulheres se encontram e, como Carrie, não sabem do processo menstrual e os processos de higiene. Dessa forma, é perceptível que a problemática necessita de uma ação urgente.

Outrossim, é indissociável que a negligência governamental tenha sua parcela de culpa na questão. Visto que, segundo a Constituição de 1988 e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o saneamento básico é um direito a todos os cidadãos, o qual possui em seus termos o acesso ao asseio feminino. Contudo, absorventes íntimos e coletores menstruais ainda são cobrados com preços inacessíveis para grande parte das mulheres, já que a cada ciclo é gasto cerca de 30 reais na compra de um pacote. Portanto, um recurso é indispensável.

Nesse sentido, para elucidar a problemática é primordial a criação de diretrizes educacionais capazes de esclarecer e informar o público. Diante disso, é responsabilidade do MEC (Ministério da Educação), por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) e voluntários, introduzir nas escolas e postos de saúde matérias relacionadas ao ciclo e cuidados menstruais. Somando-se a isso, é dever desse, promover a doação e a distribuição de absorventes, assim como preservativos, a fim de contribuir com pessoas desfavorecidas economicamente e socialmente. Desse modo, será possível tornar a aquisição dos produtos pública e evoluída.