Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 08/10/2021

O Art. 5° da Constituição Federal exige a igualdade de direitos e obrigações aos homens e as mulheres, contudo, com a moral patriarcal da nossa sociedade, assuntos relacionados ao corpo feminino ainda são tratados como tabus. Dessa forma, é dificilmente encontrado discussões sobre a pobreza menstrual no Brasil no viés político justamente pelo machismo e pela falta de representação feminina nos três Poderes da República.

Historicamente, a mulher pouco espaço tem na política, seja na Grécia Antiga, o berço da democracia, com a cidadania restrita aos homens, ou no Brasil, que apenas em 1932 as mulheres conquistaram o direito ao voto; com essa moral machista mundial, a representatividade política feminina na atualidade ainda é afetada. Segundo a União Interparlamentar, organização internacional que promove a cooperação de parlamentares dos Estados Soberanos, o Brasil é um dos piores países em termos de representação parlamentar feminino, estando, aliás, com números estabilizados desde a década dos anos de 1940, demonstrando poucos avanços nos últimos anos.

Por conseguinte, a pobreza menstrual é pouca debatida por não ser enxergada como problema de saúde pública. De acordo com uma pesquisa feita pela empresa Johnson & Johnson Consumer Health, 94% das mulheres de baixa renda não sabem o que é pobreza menstrual, isto é, não conseguem identificar quando vivem uma realidade de vulnerabilidade. Dessarte, pelo tabu em torno da menstruação e pela pouca voz das pessoas que menstruam e que denunciam esse problema, a falta de informação torna-se grande aliada na dificuldade de combate à essa realidade, isto posto, torna-se uma necessidade que esses problemas sejam debatidos para que as informações cheguem a grande massa.

Em suma, as políticas públicas nacionais não foram elaboradas de mulheres para mulheres, mas sim de homens que se apropriaram desse lugar de fala para a idealização das questões femininas. Em vista disso, torna-se essencial que haja uma modificação nas regras eleitorais brasileiras, as quais, atualmente, obrigam que 30% das candidaturas partidárias sejam ocupadas por mulheres, e que elas possam ocupar 50% dessas vagas, porque apenas com representatividade feminina nos três Poderes as questões relacionadas ao corpo feminino podem ser efetivamente debatidas. Além disso, é necessário que a mídia faça campanhas informativas televisionadas sobre a pobreza menstrual para que esse problema chegue as classes mais baixas e, assim, com a população entendendo o que é esse empecilho nas vidas de muitas pessoas que menstruam, o Estado possa combatê-la através da distribuição gratuita de absorventes nos postos de saúde e esse problema de saúde pública seja resolvido.