Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 04/10/2021

Desde o fim da Guerra Fria, no final do século, cada vez mais ações sociais ganham forças, entre eles o feminista. Nesse contexto, o movimento que busca a igualdade de gênero é uma das frentes mais importantes no combate aos agravamentos da pobreza menstrual, que afeta negativamente a sociedade. Assim, é necessário avaliar a ausência da acessibilidade higiênica no ambiente rural e a ineficiência do sistema educativo como causas desse impasse.

Sob esse viés, é importante ressaltar a inacessibilidade do saneamento básico no ambiente rural como um agravador da pobreza menstrual. Nessa situação, segundo o site O Globo, centenas de indivíduos do ambiente natural vivem sem a disponibilidade de encanamento e outros serviços essenciais para a qualidade sanitária. Nesse sentido, nota-se que desde a Revolução Industrial, não houve desenvolvimento sanitário no campo como nas cidades, provado por uma discrepância de investimento nas áreas habitadas, visto era necessário, pela lucratividade, uma melhoria na qualidade de vida no ambiente urbano do que no rural. Sob essa visão, torna-se cada vez mais difícil que as pessoas que sangram tenham acesso aos cuidados básicos desse período, como o absorvente. Dessa forma, contribuindo para miséria menstrual no cenário brasileiro.

Além disso, a ausência de eficiência no processo educacional também contribui para aprofundar a problemática. Em vista disso, é necessário analisar a série “Anne with E”, a personagem Anne se sente desnorteada quando passa pela menarca, pensando que é algo abominável. Fora da ficção, esse cenário torna-se o adequado para a propagação de mentiras sobre a natureza biológica, pois a informação é essencial para contribuir com pessoas com pouca condição financeira, visto que mais de 50% da população nacional é composta por indivíduos que passam por esse ciclo hormonal. Dessa maneira, a escassez menstrual tem, como uma segunda causa, relação com a ineficiência sistemática da educação brasileira.

Portanto, é preciso reverter o quadro de pobreza menstrual no Brasil. Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde deve, por meio de financiamento, disponibilizar absorventes gratuitos ao povo, inclusive o rural, por meio do SUS – Sistema Único de Saúde -, com objetivo de promover acesso aos direitos básicos das pessoas que menstruam. Ademais, cabe ao Ministério da Educação – responsável pela questão educacional no Brasil – promover, por meio da modificação na grade horária, a informação para a nação com finalidade de tornar esse assunto cada vez mais cotidiano. Por fim, com as medidas em vigor, é esperado, é esperado que acontecimentos como o de Anne permaneçam na ficção.