Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Em sua obra “Cidadãos de Papel”, o célebre escritor Gilberto Dimestein disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo, no que se refere aos desafios relacionados a pobreza menstrual. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista que a postura  estatal e a lógica capitalista impulsionam esse revés.

Sob esse viés, é fulcral ressaltar a intrínseca relação passiva do Governo como forte impulsionadora desse problema. À luz dessa perspectiva, segundo o filósofo contratualista Jonh Raws em sua obra “Teoria de Justiça”, um Governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos e uma vida digna. Entretanto, em um país com tanta desigualdade social, é possível mencionar que itens básicos de saúde são tratados como luxo, ou seja o uso de absorventes não é democrático. Embora o acesso a saúde seja algo de obrigação constitucional, use pedaços de panos e folhas de jornais para conter sangramento menstrual, já que o Estado não investe na saúde íntima da mulher. Desse modo,

Outrossim, é imperativo pontuar a priorização de interesses financeiros como agravante da problemática supracitada. Para o sociólogo Bauman, os valores da sociedade estão colonizados pela lógica de mercado. Nesse sentido, é lícito postular que as empresas do ramo íntimo priorizam o lucro em detrimento de valores. Tal constação é nítida na pobreza menstrual do país, uma vez que meninas e mulheres de poucos recursos financeiros não possuem condições de arcar com despesas, devido a um preço elevado que é esses produtos. Dessa forma, é necessário intervir contra esse lógica de Bauman urgente e colocar os valores humanos em primeiro lugar.

Portando, cabe ao Governo Federal como instância máxima na administração executiva, investir em itens de higiene feminino, isso pode ser feito por meio da destinação de verbas para as prefeituras, de modo que pode ser oferecido para pessoas de baixa renda nas UBS e farmácias populares, com a diminuição de diminuir a pobreza menstrual e os ricos para a saúde da mulher. Ademais, o Poder Legislativo deve criar uma lei que estipule o valor dos absorventes a preço baixo, de forma que todo o povo pode comprar. Dessa maneira, o Brasil pode ter menos “Cidadãos de Papel” como defende Dimestein.