Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 02/09/2021
Consoante a Constituição de 1988, a saúde é um direito social que deve ser garantido pela União, Estados e Municípios. Porém, o acesso aos produtos de higiene menstrual, apesar de pautado pela ONU como questão de saúde pública, é restrito à uma parcela da população. Isso posto, em decorrência do descaso do Estado e desigualdade social, pessoas com útero encontram-se em situação de pobreza menstrual.
Na esteira de Pierre Bourdieu, os homens moldam o comportamento da mulher para garantirem uma posição privilegiada nos espaços de poder. Sendo assim, o corpo feminino é apagado e silênciado. Nesse sentido, o imaginário de reclusão da mulher é evidênciado no descaso da União em relação às questões menstruais. Ou seja, apoiados na escassez de diálogos abertos sobre a menstruação e seus empecilhos, governantes não só negligânciam mas contribuem para a perpetuação da pobreza menstrual.
À vista disso, absorventes são taxados em uma média de 25%, não são distribuídos em postos de saúde e nem em kits de higiene em presídios. Deste modo, em um país que registra constantes aumentos do índice de pobreza, o acesso a absorventes torna-se luxo. Nessa lógica, meninas deixam de frequentar escolas, mulheres ficam mais suscetíveis a infecções e problemas de saúde decorrentes do uso de panos, papelão, miolos de pão e outros objetos para impedir o vazamento de sangue.
Dessarte, a privação de absorventes contribuí para o cenário de desigualdade de gênero. Visto que sem o acesso, mulheres são impossibilitadas de exercer funções da vida pública. Logo, é imperativo que marcas, influenciadores e professores estimulem o diálogo aberto sobre a menstrução, incentivando uma maior pressão ao Governo para que este estabeleça a insensão de impostos sobre os absorventes e aprove sua distribuição pelo Sistama Único de Saúde, possibilitando a dignidade às pessoas com útero e abrindo espaço para um cenário de menor desigualdade de gênero.